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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

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“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

O Frasco das Coisas Boas

frasco coisas boas.png

 

Da minha famosa lista consta um ponto dedicado aos meus primos mais pequenos. O ano passado passámos uns dias de férias juntos e este ano repetimos a dose. Quase que arriscava dizer que iniciámos uma tradição.

 

A ideia desse ponto da lista era fazermos um jogo todos juntos, um jogo de pista pela praia, um conjunto de perguntas e respostas sobre a família, curiosidades e afins. Acontece que, com o aproximar desses dias de férias em conjunto achei que seria melhor registarmos as coisas boas que nos iam acontecendo. Porque os dias passam a correr e as coisas boas podiam ir com as ondas.

 

Peguei num frasco de vidro, em folhas de papel colorido e numa caneta. Disse-lhes o que era e para que servia aquele frasco e incentivei-os a registar as suas coisas boas. Miúdos e graúdos!

 

A primeira a participar foi a mais velha da família, a que agora representa todos os nossos avós. Depois os papelinhos começaram a entrar aos poucos para dentro do frasco. Uns atrás dos outros, uns mais tímidos que outros.

 

Em jeito de brincadeira, sempre que abríamos o frasco, inspirávamos e dizíamos “hummm cheira a coisas boas!”. E era verdade! Havia tanta coisa boa ali dentro. Não vos vou contar o que dizem os papelinhos coloridos, mas posso dizer que a maioria deles regista coisas muito, muito simples. E umas muito, muito importantes.

 

Uma das minhas priminhas disse que ia registar num caderninho as coisas boas dos seus dias. Não sei se mantém essa prática, aliás, não sei se algum deles continua a pensar e a registar as coisas boas que lhes acontecem, mas gostava que isso acontecesse. Sobretudo agora que a escola está a começar. Fica a dica! :)

 

Também ainda não sei o que vai acontecer aos papelinhos que estão no frasco. Já tenho algumas ideias… mas ainda não decidi. Contudo, com esta coisa tão simples, com as brincadeiras que fizemos, com as conversas que tivemos, risquei mais um ponto da minha lista.

 

Já agora, esta ideia não é nova, vejam o que escrevi há uns bons tempos sobre o Pote das Coisas Boas.

 

 

Uma tarde no corte e cola

O que leva uma pessoa adulta a passar uma tarde de Agosto a fazer colagens?!  Em primeiro lugar… o gosto por fazer coisas fora da caixa, só pode. Em segundo lugar… saudades da infância?! Agora que me pergunto isto… não sei bem o que me levou a inscrever no workshop da Margarida Girão… mas acho que foi mais próximo do primeiro motivo. Até me considero uma pessoa criativa, ou pelo menos, criativa q.b., mas sinto que me falta alguma coisa. Talvez alguma dose de loucura, daquela saudável, que faz com que consigamos transformar um prego numa obra de arte. Não pertenço a esse clube. O que às vezes é pena!

 

Fazer coisas fora do nosso normal faz aumentar a elasticidade desta nossa massa, que pode ser cinzenta ou de outra cor qualquer, e obriga-nos a ver as coisas noutras perspetivas. E acho que foi esse mesmo o motivo que me levou a passar uma tarde de Agosto no atelier onde trabalha a Margarida a rasgar e cortar pedaços de papel que no final fizeram uma obra de arte.

 

Durante muito tempo estive “assombrada” pela questão da página em branco. E se quando chegasse a hora eu não conseguisse fazer nada de jeito? E se apenas conseguisse pensar e recriar o óbvio? E se, quando terminasse, visse que o que tinha feito era praticamente igual a outras imagens que já tinha visto antes? E se, e se, sempre os ses.

 

 

O que é certo é que chegou o dia. E não havia como fazer preparação prévia. Não era como estudar para um exame e depois debitar informação. Tudo era novo. Os materiais são comuns e conhecidos: papel, recortes de revistas, tesoura, cola, fitas coloridas, tecidos, pom-pons, marcadores, envelopes… mas… fomos à sorte e dentro de um envelope estavam os recortes que falariam connosco e que nos iriam encaminhar nesse processo criativo.

 

 

Logo no início a Margarida deu “A” dica: pegar na folha que nos fizer borboletas na barriga! Penso nisso tantas vezes e uso essa técnica com tantas coisas na vida… facilitou o meu processo, é verdade! As imagens que falaram comigo ficaram, as outras… seguiram os seus caminhos.

 

E se pensam que fazer recortes e colagens é um processo fácil e que qualquer criança de 5 anos faz isso, desafio-vos a fazê-lo. Fazer colagens numa folha branca A4 e no final contar a história dessa colagem. Porque toda a obra de arte tem a sua história!

 

 

 

 

Setembro é como Janeiro, podemos sempre começar de novo

via

 

Nessa série de culto que é o Sexo e a Cidade há momentos em que a protagonista, Carrie, vai para um hotel para escrever. Diz que se consegue concentrar melhor. Ontem ouvi um podcast sobre "retiros produtivos" que fala de algo semelhante: 3 dias dedicados a organizar a nossa vida. Registar todas as ideias, olhar para o calendário, planear e pôr em prática.

 

O ano passado falei aqui de uma coisa que tinha feito para conseguir "arrumar as ideias" e passar à ação. Normalmente nas férias tenho "resmas" de ideias novas e boas intenções. Não foi propriamente o caso este ano, mas as ideias continuam a andar por aqui, soltas. 

 

Basicamente, talvez seja por se estar a chegar o mês de Setembro (que para mim é como se fosse Ano Novo outra vez) que está a dar-me novamente o bichinho de parar para pôr tudo no papel, fazer pequenas coisas que já estão na lista de coisas a fazer, etc. Basicamente parar, pensar, planear e pôr em prática.

 

Infelizmente, ou não, ir para um hotel como sugere o convidado do podcast, ou a própria Carrie, não é possível. A alternativa mais desafiante é ficar em casa, onde há sempre distrações. A outra opção é ir para casa de um amigo que esteja a trabalhar. Já testei as duas opções e embora ambas tenham surtido efeito, a que mais impacto teve foi ir passar uma semana em casa de uma amiga. Melhor ainda porque a casa dessa amiga fica junto da praia. Acordava sem despertador, tomava o pequeno almoço e "trabalhava" um bocadinho. Depois saía e ia dar uma volta até à praia. Voltava para casa, almoçava e voltava ao registo de "trabalho". Nesses dias consegui pensar em imensas coisas e passá-las ao papel. Com o benefício de que quando a minha amiga chegava podia partilhar o que tinha feito durante o meu dia de "trabalho".

 

Sou daquelas pessoas para quem o papel e a caneta são um básico. E em situações como esta não consigo funcionar sem estes dois elementos. Parece que as coisas não fluem da mesma maneira. Mindmaps, listas, desenhos, rabiscos de ideias, tudo no papel fica mais fácil. E Setembro tem todo aquele encanto do regresso às aulas. Como disse a Mariana Sabido um destes dias: 

 

Setembro é como Janeiro, podemos sempre começar de novo, e ter mil e um planos para a nossa vida. É como preparar mais uma vez a mochila para voltar à escola. 

 

 

Podcast: Beyond the to do list - Productivity Retreat: Ryan McRae on Taking a 3 Day Productivity Retreat