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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

O ar de "chegar a casa"

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Sabem aquele momento em que, no meio de uma multidão, vemos uma cara conhecida? Ou quando estamos tristes e nos aparece um amigo pela frente? Ou ainda quando estamos numa situação (para nós) delicada e vemos um dos nossos familiares? Nesses momentos fazemos aquilo que uma das minhas amigas apelidou como “o ar de cheguei a casa!”.

 

Já por várias vezes me cruzei com vídeos em que mostravam crianças, adultos e até animais a viver um desses momentos. Um miúdo a sair da escola e ver o avô, irmãos que não se viam há muito tempo e são surpreendidos pela chegada do outro, um cão que salta ao pressentir a chegada do seu melhor amigo.

 

Nunca tinha pensado nesse momento como algo que já me tivesse acontecido. É um bocadinho daquelas coisas que parecem só acontecer aos outros. Até que chegou o momento em que eu pensei: “Espera! Pensa lá em situações em que estavas com nervoso miudinho ou em que estavas a pôr-te à prova e relembra-te como foi!”.

 

Já aqui falei de alguns desafios aos quais me expus como forma de “esticar os elásticos”. Já fui correr sem estar fisicamente devidamente preparada, já fui nadar no rio e no mar, já apresentei um prémio num auditório, já fui moderadora num webinar (e acreditem que embora tudo isto pareça fácil… para mim foi tão desafiante como saltar de um avião – que também já fiz, um dia destes conto como foi). E foi nestas coisas que pensei quando decidi fazer esse exercício.

 

Lembrei-me de como foi quando cheguei à praia depois de nadar os 1500m e vi os cartazes com o meu nome, e de como depois disso perguntei onde estava a minha família. Lembrei-me de como me senti quando na primeira corrida que fiz vi uma amiga com os seus filhos e eles disseram o meu nome e bateram palmas. E também de quando, noutra corrida, a minha irmã me entregou um merecido pampilho e disse que tinha feito uma grande prestação. Lembrei-me da mensagem que uma amiga me enviou, no tal webinar, a dar os parabéns e a dizer que não sabia porque é que eu tinha medo.

 

Em todas as situações a sensação é muito boa. É aquela de ficar com o coração quentinho. Lá está, é, como disse a minha amiga, como chegar a casa! Aliás, é como chegar a casa depois de uns dias fora e ter sopa de chocolate à nossa espera.

 

Um dia destes presenciei uma dessas situações. Uma criança estava a cumprir um desafio ao qual se tinha proposto. Grande (o desafio)! Estava muito concentrada, a fazer o que tinha de fazer, a desempenhar o seu papel, com a seriedade adequada ao momento, até que viu a família! E aí… aí… toda ela sorriu! Sorriu e espontaneamente deu um grande adeus à família. Sabem quando não era suposto fazermos “aquilo” mas é mais forte que nós? Pois foi mesmo isso que ela fez. E fez muito bem! Foi como se tivesse estado uns dias fora e acabasse de chegar a casa!

 

 

"As coisas que entregamos e recebemos do mundo"

1. Uma amiga partilhou ontem a experiência da sua visita ao Convento da Cartuxa. Marcou-a muito. Marcou-me a mim só pelo que ela contou. Enviou um vídeo onde o Superior fala sobre a rotina do Convento. Sim, a clausura mais clausura também tem rotinas. Rígidas e bem definidas. Para além de tudo o que ela partilhou, depois de ver o vídeo o que mais me impressionou não foi a simplicidade, nem a austeridade, nem a tristeza que aquele monge manifestou por terem de sair depois de uma vida. Foi precisamente o seu oposto o que mais me impressionou - a alegria que se sentia na presença dele. Nota-se que é feliz. E isso devia fazer-nos pensar. No vídeo fala em cartas quando reclama com o carteiro o facto dele apenas ter jornais para lhe entregar, parece que já não há cartas, já ninguém escreve. Recebem visitas duas vezes por ano e informação escrita. Sobre esta diz: "podemos escolher o tema e o momento". Da visita da minha amiga fica ainda uma frase "passando do portão deixamos a prisão de fora para viver a liberdade de dentro". Mais uma vez... isso devia fazer-nos pensar.

2. Descobri recentemente um podcast através do Instagram da Anabela Mota Ribeiro. As redes sociais não têm apenas banalidades. Tal como tudo, quando consumidas com moderação podem ser até enriquecedoras. O Peixe Voador da Patrícia Palumbo surgiu durante aqueles tempos em que estivemos fechados em casa. Mais um exemplo de que nem tudo é mau nos piores dos tempos. Num dos primeiros episódios que ouvi dizia ela que gostava que o seu podcast fosse como uma espécie de meditação para quem ouve. Do que fala? Basicamente de música brasileira, autores brasileiros, o dia a dia de quem está fechado em casa. Tudo com uma musicalidade, uma graça e uma voz tranquila. Momento meditativo para mim, sem dúvida. E ao mesmo tempo que é leve na escuta, está carregado de informações e partilhas culturais. O que ouvi hoje teve duas coincidências. Haverá?! No início fala de uma carta escrita por uma amiga enquanto a ouvia fazer o seu programa de rádio, e depois lembra que quando os dias estão difíceis eles não estão difíceis apenas para nós, temos de pensar no coletivo, mesmo na hora da dificuldade. E como esse é um dos desafios da atualidade, pensar no próximo, no coletivo, em melhorar todos os dias e também no que podemos fazer para que "todo o mundo melhore junto com a gente". E mais à frente fala de uma entrevista da Clarice Lispector ao Tom Jobim. Cartas e Livros. As coincidências. Da Cartuxa ontem ficou (entre outras coisas) uma breve reflexão sobre cartas, da estante o livro da Clarice Lispector "Correio para Mulheres".

3. A semana passada, numa conversa de almoço, falava-se das pessoas que lêem nos transportes públicos. Essa espécie rara em vias de extinção. Nessa mesma conversa falei de um senhor e do seu espanto quando fui comprar uma caneta de tinta permanente. Mais ainda quando ele percebeu que efetivamente escrevo com essas canetas. Na verdade, acho que o espanto era mesmo por eu escrever. Por usar caneta e papel. Mal ele sabe que escrevo cartas e postais. E também leio nos transportes públicos, pouco - infelizmente, mas leio.

 

Os clássicos nunca passam de moda

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Entre outras coisas, as férias permitem-nos pensar. Damo-nos a esse luxo de, durante vários minutos seguidos, dedicarmos o nosso tempo a pensar no que queremos, ou não queremos, no que gostamos, ou não gostamos, e de como essas "coisas" têm feito parte dos nossos dias. Ou não.

Os dias de férias voltaram a fazer-me pensar no blog. Talvez porque tenha visto no Instagram alguém a perguntar se os blogs ainda faziam sentido. 

Há muitos anos atrás, quando a internet era ainda uma criança, fiz um trabalho sobre o futuro da imprensa escrita e dos jornais e revistas em papel. A minha opinião na altura era que não iriam acabar. A minha opinião agora, mantém-se. Podem ter de se "reinventar" mas não acabam. Talvez esta opinião se deva ao facto de eu ser totalmente "team papel"... ou talvez não. 

Quanto aos blogs... Penso o mesmo. Podem ter de se reinventar, mas não acabam. 

Os blogs são assim como as peças "vintage". Nem todos apreciam, nem todos os dias os queremos usar, podem nem sempre fazer sentido. Mas estão lá. E como os clássicos, nunca passam de moda.

Hoje decidi pôr em prática uma das coisas que pensei durante as férias, entre um episódio de uma série e uma sesta bem dormida. Voltar a escrever aqui. Tive uma ideia do que quero fazer e já estou a pensar como vou passar à ação. Lá está, uma espécie de reinvenção. Acho que vai funcionar, mas depois, com o tempo, logo vemos!

E como dizia a Mariana Sabido "Setembro é como Janeiro - podemos sempre começar de novo".

 

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