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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Podcast: Ser amigo do nosso "inimigo"

 

O ano passado participei pela primeira vez numa prova de natação. Quando cheguei junto da minha “equipa” perguntei quem eram os nossos arqui-inimigos. E depois individualizei a pergunta. Não tínhamos… passámos a ter!

Não sou competitiva ao ponto disso me tirar o sono mas, como quase toda a gente, gosto que a minha equipa ganhe. E de ganhar também, embora não tenha mau perder. Nessa competição, como noutras, o meu objetivo era participar e competir comigo mesma. E isso já é, muitas vezes, suficiente.

No entanto, gosto de saber quem é o meu rival direto, aquele que me fará melhorar, aquele que eu quero superar! Superando-me a mim mesma. O nosso rival é aquele com quem nos comparamos constantemente. Faz-nos dar o nosso melhor e motiva-nos a ser melhor que ele – SEMPRE! Quanto melhor ele for, melhor nós seremos.

No podcast que ouvi sobre este tema – Become friends with your rivals – fala-se sobre tipos de rivalidade e dão-se exemplos desde a amigável, à colaborativa ou à de apoio. Também mostram como temos a ganhar se em vez de encararmos algumas pessoas como nossas rivais, as virmos como nossas aliadas ou como o respeito pelo “adversário” e pela sua individualidade nos pode beneficiar se estivermos na mesma equipa.

As equipas (desportivas ou outras) são muitas vezes constituídas por pessoas com percursos diferentes, objetivos pessoais diferentes, experiências diferentes. É essa diversidade que pode fazer desse conjunto a melhor equipa. Se em vez de se verem como adversários se virem como parte de um grupo maior que o EU, partilharem experiências e conhecimento, podem, em conjunto, conseguir o sucesso. Numa equipa que seja EQUIPA, ninguém é melhor que o outro. Como diz um dos entrevistados, naquele momento não importa competir entre si, importa competir contra quem não fala a nossa língua.

Em determinada altura lembrei-me da nossa Seleção Nacional. São 11, não são apenas 1. É verdade que esse 1 é o que é, mas sem os outros a nossa Equipa não seria a mesma coisa.  

 

Become friends with your rivals – Work life with Adam Grant

 

 

“Uma conversa silenciosa” sobre os livros

via

 

As introduções da Inês Menezes, no Fala com Ela, e as escolhas do Carlos Vaz Marques para ilustrar os livros que nos apresenta são as coisas mais bonitas de todos os podcasts que oiço.

Hoje ouvi O Livro do Dia sobre “Uma conversa silenciosa”. Fala sobre livros e sobre pessoas como eu, que acabei por descobrir que sou uma “devoradora de livros”. Livros: tipos, géneros, caraterísticas e grupos… recomendo que vão ouvir, mas deixo-vos uma frase que me poderia ter a mim como narrador.

“Tenho livros. Muitos. Mas é claro que não chegam. Continuo a comprar com alguma angústia e não pequena alegria, inventando pretextos para adquirir livros que já não vou ter vida para ler, ou edições diferentes de outros que já li várias vezes. Confesso que às vezes tenho a suspeita de que compro um ou outro livro como uma espécie de substituto moral para a leitura que não vou ter tempo de fazer. Já que o não leio, tenho-o.”

O Livro do Dia é “Uma conversa silenciosa” – Eugénio Lisboa

 

"Todas as noites podemos voltar a ter dois anos"

Sabem quando ouvem uma música e vos sabe a Verão? Ou quando sentem aquela brisa suave e morna nas primeiras noites quentes de Maio? Ou ainda aquele momento em que comem o primeiro gelado do ano, aquele que vai marcar a época? Tudo isso me remete para as férias de Verão. Para as alegrias que essa Estação nos traz. Para as memórias que cria.

 

No caminho para o trabalho, num metro a abarrotar, ouvi o podcast d’O Livro do Dia, com o Carlos Vaz Marques. E por momentos o mundo parecia ter parado. Boa esta sensação de irmos isolados no meio da multidão. Como se o mundo deixasse de existir.

 

O podcast começa logo com duas frases bonitas: “Não temos mais começos” do George Steiner – que pode fazer pensar, e “Tenho a cabeça cheia de Fábulas” da autora do livro do qual nos vai falar, Lídia Jorge.

 

Escolheu o texto que se segue para ilustrar o livro do dia. Pesquisei-o para ser aqui fiel à sua reprodução na forma. Como não encontrei, tomei a liberdade de o deixar como prosa e não poesia, abusando da “designação genérica de “outras narrativas””. Independentemente da estrutura que tenha é sem dúvida pura poesia.

 

E por isso sugiro que o oiçam declamado pelo Carlos Vaz Marques antes até de o ler. Depois digam-se se não sentiram a brisa do mar, o cheiro a praia e um ou outro grão de areia no corpo. Digam lá se, mais logo ao final do dia, não vão deitar a cabeça na almofada e pensar que, apesar de tudo, “todas as noites podemos voltar a ter dois anos”?

 

O Livro do dia TSF é “O Livro das Tréguas” – Lídia Jorge, Edições Dom Quixote.

Quando os barcos caíam do céu e os remos separavam a verdura da terra avançávamos na água recolhendo redes. Os peixes saltavam das ondas e quando exibiam as escamas formavam-se nuvens de todas as cores. Vinham os vendavais e faziam a cama as gaivotas. Desses ovos nasciam pássaros desajeitados que afagávamos entre as nossas mãos. Jamais de algum deles saiu uma serpente que ameaçasse morder as crias das outras espécies. Veneno não havia. O grande perigo passava voando por cima das nossas cabeças e nós não o pressentíamos. Nunca, no nosso paraíso, encontrámos Adão ou Eva. Pelo contrário, o mar invadiu a terra, formaram-se seis continentes, todos os rios do Globo e não demos por nada. Em nossa ignorância estávamos sentados na areia, ansiosos por conhecer o que seria uma tempestade. E assim decorreu a infância. Todas as noites podemos voltar a ter dois anos.

A Infância do Mundo - Lídia Jorge