Vim aqui procurar um texto que escrevi há uns tempos (AP - como quem diz antes da pandemia) e tive saudades de quando escrevia quase diariamente. Como uma amiga me disse muito simplesmente "então volta a escrever". Assim de simples.
E se calhar ela tem razão. Posso pura e simplesmente voltar a escrever. Mas... sobre o quê?
Uma coisa é certa, continuo a acreditar que os blogs um dia vão voltar. Como na moda. Como na vida. Tudo é ciclico.
E de que poderia eu falar? Das minhas idas à Feira do Livro e de como, a par das chegadas dos aeroportos, acho esse espaço um espaço onde se sente a felicidade? Do livro que li recentemente e que me fez procurar músicas, ver onde se passava a história, querer saber mais sobre as personagens e na última página dizer... oh.... ( o livro é "A Carteira" - caso queiram saber)? Ou de como na semana passada ouvi uma música com atenção e fiquei com ela na cabeça até hoje?
Também podia falar de uma ideia que elaborei a partir de algo que vi numa newsletter - fazer um Verão de A - Z! Uma lista das coisas que queremos para este Verão, ir fazendo uma outra onde registamos as coisas que vão acontecendo e, no final, quando se aproximarem os primeiros dias do Outono, ver quais os desejos que se concretizaram e a que soube realmente o nosso Verão 2025. Dediquei um bocadinho do meu sábado passado a fazer essa lista.
Por falar em listas, encontrei, num dos meus cadernos, uma anotação que fiz de um dos episódios do podcast da Emily P. Freeman (The Next Right Thing). A nota diz "Desire List - escrever uma lista de 100 coisas que eu quero! Tiramos as coisas da cabeça, dizemos o que queremos, corremos menos riscos - ou não corremos riscos nenhuns". 100 coisas é mesmo muita coisa mas... quem é que disse que o Pai Natal não existe?
Para rematar, Meraki um podcast escrito e narrado pela Nuria Perez. Resumidamente, Meraki é fazer algo com paixão e deixar parte da nossa alma nisso. São poucos episódios mas valem a pena!
Em 2019 uma linha de lâmpadas de luz amarela escrevia a palavra "Believe" numa das entradas do conhecido espaço comercial de Nova Iorque.
Em 1897 uma menina de 8 anos escreveu uma carta ao Diretor de um dos maiores jornais daquela cidade e, num tempo em que as fake news não eram um tema, pediu para o Diretor do jornal validar aquilo de que ela tinha a certeza mas no qual muitos já não acreditavam. E a resposta, deliciosa e impactante, transformou-se no editorial mais partilhado em língua inglesa.
Em 2023 ouvi o podcast que me apresentou esta história, que me mostrou o porquê daquela palavra brilhar na entrada do grande espaço comercial e me explicou porque é que alguns dias são como são.
O mundo divide-se em dois grupos: os que acreditam e os que deixaram de acreditar. Antes de se posicionarem, oiçam o podcast. Depois, independentemente da vossa idade, decidam se acreditam ou não.
Há dias numa conversa surgiu a expressão “coração aventureiro” referindo-se a alguém que queria experimentar coisas, fazer coisas, viajar, não ser acomodado.
Uns dias depois ouvi a Nuria Pérez dizer isto sobre uma amiga: “Todos devíamos ter a sorte de poder contar com pessoas ao nosso lado como a minha amiga Mar que aceita qualquer tipo de plano porque tudo lhe interessa e nada lhe parece demasiado absurdo”. E pareceu-me que esta Mar era uma dessas pessoas com um coração aventureiro.
Nesse dia, o plano das duas amigas era ir ao Parque do Retiro em Madrid, encontrar uma USB num local específico e descarregar os ficheiros que lá estão guardados. Este projeto chama-se Dead Drop e foi criado por Aram Bartholl. Se conseguiram encontrar? Sim. Mas estava estragado. O que fizeram de seguida? Talvez aquilo que fez com que verdadeiramente aquela “aventura” fosse realizada com sucesso: aproveitaram para passear pelo parque.
Quando chegou a casa, a Nuria apercebeu-se que Aram tinha conseguido o que queria: que as pessoas passassem um tempo fora do computador e “conectados” uns com os outros. Para nos conseguirmos conectar com o mundo temos primeiro de caminhar, observar e estar atento ao mundo real. Com estes Dead Drops Aram Bartholl faz isto mesmo, convida-nos a sair de casa e a explorar. A mim convenceu-me… que já mandei mensagem a um amigo para irmos procurar uma dessas USBs.
Só que entretanto ouvi um outro episódio do podcast “Historias de las buenas” sobre uma rapariga que, devido a um problema na retina, ficou cega com 12 anos. Uns anos depois criou uma escola para cegos no Tibete e foi aí que surgiu uma aventura ainda maior – subir o Everest! Corações aventureiros tinham aqueles que decidiram fazê-lo, sem dúvida!
Como num qualquer dia das nossas vidas, surgiram os contratempos. Chegaram a um ponto muito próximo do fim da escalada mas a sua conclusão punha-os em risco de vida. Tiveram de tomar uma decisão e foi nesse ponto do podcast que eu redefini o conceito “coração aventureiro”.
Coração aventureiro é aquele que vai além dos seus limites, é aquele que desafia os seus medos e arrisca. Mas também é aquele que quer fazer do mundo dos outros um mundo melhor. Por outro lado, um coração aventureiro também é aquele que sabe quando parar, quando desistir, aquele que sabe distinguir o limite do orgulho do limite do desafio. Ter um coração aventureiro é ultrapassar os limites da nossa natureza e usufruir de todos os caminhos que percorremos, mais do que das metas que cruzamos.
“A viagem destas crianças lembra-nos que raramente o prémio está na meta, é o caminho que fazemos, e o muito que mudamos ao enfrentá-lo, aquilo que faz com que uma aventura valha realmente a pena.” - diz a Nuria Pérez.
Espero que tenham ficado curiosos por saber mais sobre esta história, da qual só vos contei um resumo. Podem ouvir (em espanhol) aqui: