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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Felizes os que pensam de pernas para o ar

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Falei aqui, antes do Natal, de como somos "inundados" por mensagens nos telemóveis com desejos de Boas Festas. Sugeri que em vez da tradicional mensagem enviassemos postais de Natal. Fui surpreendida com alguns que recebi e fiquei muito feliz por ver que consegui converter umas quantas pessoas a esta tradição. Contudo, tenho que ressalvar uma coisa... quando as mensagens que enviamos são pensadas e vão contra a corrente... ficam! Ou então, quando são pensadas de pernas para o ar... o poema que deixo aqui hoje foi uma dessas mensagens que recebi durante o período das Festas, algures entre o Natal e o Ano Novo. E ficou guardada. É também uma daquelas a imprimir :)

 

Pensar de pernas para o ar
é uma grande maneira de pensar
com toda gente a pensar como toda a gente
ninguém pensava nada diferente

Que bom é pensar em outras coisas
e olhar para as coisas noutra posição
as coisa sérias que cómicas que são
com o céu para baixo e para cima o chão

 

Manuel António Pina

O País das Pessoas de Pernas para o Ar

1973

 

A minha palavra para 2019

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“Aprenda a maravilha, cultive o espanto. Viva, Ame, Acredite.”

 

As Palavras do Ano, como tantas outras ideias que temos no início de um novo ano, são como lufadas de ar fresco. Acreditamos que o novo ano vai ser diferente, que vamos mudar isto ou aquilo, que a nossa vida vai dar uma volta… essas coisas! Na verdade só muda uma data, nós é que queremos um pretexto para fazer alterações (eu então… arranjei 4 pretextos) e por isso pedimos desejos, contamos passas, badaladas em contagem decrescente, escolhemos palavras.

 

Ainda não tinha pensado muito na palavra para 2019 até que comecei a escrever os postais de Natal. Costumo pensar numa frase que escrevo em todos os postais à qual acrescento uma mensagem individual para cada pessoa. A frase deste ano (a que está no início deste post) é do Papa Francisco. Cruzei-me com ela na contracapa de um livro e identifiquei-me muito com o que diz. Cada vez que a replicava em mais um postal, mais sentido fazia! Até que se fez luz. MARAVILHAR era a minha palavra para 2019!

 

A Palavra do Ano é aquela que nos vai “guiar” durante 365 dias, como a Estrela Polar que nos orienta. Também é a palavra que traduz aquilo que queremos para o ano em causa e que deixa marcas para os anos futuros.

 

Eu quero aprender a maravilha e cultivar o espanto! Quero viver, amar e acreditar! Tal como sugere o Papa Francisco. E nas várias áreas da vida! Se virmos bem, esta citação pode ser toda ela uma orientação. Mas “maravilhar” resume-a bem. Maravilhar-me com tudo o que está à minha volta, com todas as coisas boas que tenho pela frente e com as soluções para os problemas e obstáculos que encontrar.

 

A minha Palavra do Ano é MARAVILHAR, e a vossa?

 

 

Uma lista de amor

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Diz-se que as Festas de Natal e Ano Novo duram até ao Dia de Reis, até esse dia podemos falar sobre esses temas, manter o espírito animado que as mesmas Festas proporcionam e pensar sobre os desejos, ideias e boas intenções que queremos para o ano que começa. Por isso, e porque a azáfama dos dias festivos não me permitiu fazê-lo antes, vou publicar alguns posts ainda alusivos a este tema: o início do Ano. Começo por deixar uma crónica que a Patrícia Reis escreveu para o Sapo . Como disse uma amiga com quem o partilhei antes... podia ser eu a escrever isto! 

 

Amor, dinheiro e trabalho ou cozinha, literatura e escrita

Repleto de boas intenções e tal, muitos planos esmiuçados e, no fim, saiu ao avesso do pretendido? Eis 2019.

 

Podemos antecipar sem grandes pruridos ou dramatizações. A cada passagem de ano, exigimos reflexões e elaboramos uma lista de coisas boas que iremos fazer em prol de nós, em prol dos nossos. A maior parte dessa lista é esquecida conforme o mês de Janeiro, na sua imensa crueldade, avança sem pieguices para mostrar a inevitabilidade do tempo. Assim, pouco importa saber que se deseja muito a coragem para ir ao ginásio, para abdicar dos queijos e fumeiros, do álcool ou dos amigos suspeitos no exercício da sua amizade, aqueles que deixam más energias no ar e à conta dos quais temos engolido não um ou outro sapo, mas famílias inteiras de batráqueos.

 

Carregamos connosco o que podemos, mesmo os amigos mais quezilentos, pois teremos de encontrar neles um qualquer propósito se não os sacudimos da nossa vida. Apesar de sabermos isto tudo, muitos de nós optamos por fazer listas adoráveis a contemplar as possibilidades infinitamente boas de 2019.

 

No topo da minha lista está uma limpeza geral à vidinha, ou seja, a necessidade de simplificar e de selecionar. O lixo acumula-se muito no coração e o coração deveria ser um espaço emocionalmente inteligente, importa por isso fazer um esforço para entender o que beneficia, o que prejudica. Fiz a lista. Comecei com o conjunto de banalidades que, na verdade, são essenciais à existência – saúde, amor, trabalho e consequente estabilidade financeira. Desejando ainda a paz mundial, senti-me uma candidata a miss universo, algo que objectivamente nunca seria para mim. Conforme vamos envelhecendo, alguns de nós, caímos numa poção de tolerância e lamechice, isso também é típico do final de cada ano, portanto não me atemorizei muito com a minha lista espontânea de clichés. O pior foi constatar a imprevisibilidade dos meus desejos. Afinal, o que é que conseguimos efectivamente controlar? Pouco ou mesmo nada. O nosso corpo pode ser um traidor num gesto repentino que nos atira ao chão; o amor, mesmo a construção mais sólida, pode ruir; o trabalho pode faltar e as estatísticas não mentem sobre o desemprego como possibilidade real; o dinheiro... bom, o dinheiro parece ter vontade própria e, sobretudo, tendência para seguir rumo a outras carteiras e bolsos.

 

Risco a minha lista patética e recomeço. Aposto no intelecto: defender a dissertação de mestrado, aprender mais sobre cozinha, reler o Eça e o Camilo, continuar o romance que, teimoso, não se quer deixar descobrir. Fico mais apaziguada com esta lista. Numa segunda análise, concluo que não é uma lista de intelecto, é uma lista de amor, porque cozinhar é só isso; é uma lista de enriquecimento, porque a Literatura é uma forma de riqueza e, por fim, é uma lista contra o tempo, já que escrever é um trabalho contra a morte de qualquer coisa. Vamos lá, 2019, mostra o que vales, estamos prontos. Para muitos de nós, pior não pode ser, para outros só pode mesmo melhorar, por isso, sem medos, revela-te logo de imediato e deixemos a conversa do recomeço potencialmente bonzinho para outro ano, sim? Agradecida.

 

 

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