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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Quem manda aqui sou eu!

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Passei uma parte da tarde de ontem a pensar como ia contar o que se passou. Pensei de começar pela dor que tenho nas costas que apareceu ontem de manhã. Mas não era o mais importante. Depois pelo meu pouco apreço em nadar em rios e barragens. Também pensei em começar por falar da quantidade de vezes que remoí este assunto a semana passada, ao ponto de até sonhar com isto.

Como disse, passei uma parte da tarde de ontem a pensar como registar isto aqui. A outra parte foi passada a mostrar aos meus medos que quem manda aqui sou eu!

Desde Setembro do ano passado que ando a preparar-me fisicamente para, em Agosto, fazer a Travessia de São Martinho do Porto. A determinada altura o treino passou a ser físico e psicológico. Como diz uma das minhas amigas “o importante é que a cabeça acompanhe o corpo”. Di-lo num contexto totalmente diferente, mas adequa-se perfeitamente a este.

Dores, cãibras, frio, cansaço, tudo isto pode aparecer durante 1500m. A pergunta fundamental, feita pelo Murakami é “em que pensas quando corres?”, neste caso, nadas. É isso que irá decidir o desfecho desse desafio.

Recentemente, com o aproximar da data, tudo começa a ser mais real. Já não falta quase um ano, falta quase um mês. E agora sim, aproxima-se o momento da verdade.

Não gosto de nadar em rios, nem barragens, nem gosto de pensar no que está no fundo, não gosto da sensação do lodo, nem de pensar que um peixinho mais afoito possa vir cumprimentar-me. Todos estes “não gosto” se podem traduzir em medos. Também tenho medo de me desviar da rota, medo das correntes, medo de me cansar e, sobretudo, medo de deixar que a minha cabeça se canse de acompanhar o meu corpo e só comece a enviar-lhe mensagens derrotistas.

Hoje de manhã encontrei esta imagem no Instagram da Anita – Look a Day. Quando a vi percebi que era assim que vos ia contar como passei a tarde de ontem – escolhi um conjunto de medos e mostrei-lhes quem manda!

Ontem participei pela primeira vez numa prova de natação em águas abertas. 1500m! 30 minutos para lidar com o que vos descrevi acima. Não me cruzei com nenhum peixinho afoito, senti uma ou outra alga a bater-me nas pernas, o fundo do rio não era preto mas sim verde pistacho e, nalgumas zonas, até deu para ver um ou outro raio de sol entrar pela água adentro. Desviei-me da rota e só me lembrava do professor de matemática quando tentava demonstrar que as diagonais têm distâncias superiores às retas. Passei em correntes de água quente e outras de água fria enquanto tentava acompanhar o ritmo de um ou outro companheiro de aventura. E quando cheguei ao fim estava contente!

Foi um dia bom! Ainda não consigo muito bem descrever a sensação. Por um lado não foi nada demais, porque ando a treinar para resistir a esta distância, mas por outro… e é esse outro que eu não consigo explicar.

A minha zona de conforto ontem aumentou. Como costumo dizer: estiquei os elásticos mais um bocadinho. Ainda tenho alguns medinhos para superar, mas acho que desta vez já não me vão tirar tanto o sono.

 

P.S.: Este post é "dedicado" à minha prima N. que não tem medo de nadar no mar alto mas que também está a “esticar os seus elásticos” e a enfrentar um ou outro medo ;)

 

Somos incríveis desde o 1º minuto

"Quantos de nós nos lembramos disto no decorrer atabalhoado dos dias? Quantos de nós nos lembramos da quantidade de batalhas que já vencemos? E das que perdemos para depois nos levantarmos? Quantos de nós acreditamos que somos incríveis, em alguma parte da nossa existência?

Somos bons amigos, bons colegas, bons filhos, bons pais, bons irmãos, bons netos, bons trabalhadores, bons, bons, bons... incríveis! Não nos lembramos que somos incansáveis. Não nos lembramos que NUNCA desistimos. Não nos lembramos do nosso PROPÓSITO. Da razão superior pela qual fazemos o que fazemos, da forma que fazemos, as vezes que fazemos.

Esquecemos tudo isto e, invariavelmente, esquecemo-nos de NÓS! A troco de quê?

Sim, falhamos. Sim, erramos. Sim, desiludimos os outros. Sim, somos imperfeitos, incompletos, incorrectos, intempestivos e indirectos. Mas somos, em algum momento dos nossos dias, incríveis aos olhos de alguém. Dos filhos, dos pais, dos maridos e mulheres, dos colegas e chefes. Há, na nossa vida, alguém que olha para nós e vê exactamente tudo aquilo que somos.

Acreditar que somos incríveis não faz de nós arrogantes. Porque é que isto é tão difícil de interiorizar? Será que a culpa é dos outros?"

Martim Mariano - LinkedIn