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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Diário de mais um dia

 

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Os dias parecem-se todos uns com os outros. Às vezes já nem sei em que dia da semana estamos. Mas há sempre alguém ou alguma coisa que às 5ª feira me diz “amanhã já é 6ª feira!” e eu percebo que o fim-de-semana está a chegar.

Os dias de céu branco aborrecem-me mais do que estar fechada em casa. Um a seguir ao outro, manhã após manhã, acordar e ver o céu branco… desmotiva-me. E sempre que penso nisso lembro-me do que devem sentir os nórdicos. Deve ser esse um dos motivos pelos quais as suas casas são clean mas pinceladas de muita cor, e velas, e flores, e desenhos e uma certa despreocupação em ter a roupa toda a condizer.

Na noite de dia 12 celebrei a passagem de ano chinês com as amigas com quem costumo festejar esse dia. Nem nos lembrámos. Nem cumprimos o ritual que nos faz ser conhecidas numa determinada loja. Mas isso não importou nada! Rimos! RIMOS muito! Mesmo muito! Literalmente chorei a rir! E não fui a única! É muito importante ter estes momentos e estas amizades loucas e sãs ao mesmo tempo.

Ontem, foi dia de sair à noite! E foi isto que ontem me relembrou que era 5ª feira! E 5ª feira será sempre Ladies Night algures! Ontem… foi aqui em casa! Descobri 1:08:37 de saída à noite! E aquilo é que foi dançar! Foi um misto de muitas noites bem passadas. Recomendo.

Curiosamente, a noite da risota com as amigas começou com uma frase da Inês Meneses que diz “Não junto dinheiro mas coleciono memórias das noites em que fui infinitamente feliz a dançar”. Confere!

Hoje acordei para um dia com sol. Vamos ver quanto tempo se aguenta. É 6ª feira e a música do dia é Ain't No Mountain High Enough . O meu amor-perfeito tem 4 flores bem bonitas. O almoço é sopa de chocolate. Se não chover, ao final do dia vou correr. Quero voltar a ter a sensação de correr 3 kms sem parar uma única vez. E isto é tudo o que sei sobre o dia de hoje. Mais um.

P.S.: para verem como estou a dizer a verdade quando digo que não sei a quantas ando... a noite da risota foi dia 10... o ano novo chinês é hoje! Hoje é que é dia 12 :) Mas não faz mal, aquela terapia do riso já ninguém nos tira.

 

Todos os dias temos motivos para agradecer

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Há muito tempo que queria escrever este post e nunca soube bem como o fazer. Talvez porque, apesar do tema me ser bastante próximo, há um peso de respeito e responsabilidade no que quero contar.

Vou falar das listas de coisas boas, diários de gratidão, o que lhe quiserem chamar. Acho que percebem a ideia.

Já há uns tempos que costumo registar as coisas boas que vão acontecendo comigo e/ou à minha volta. O registo escrito não é uma prática tão regular como eu gostaria, mas o que realmente importa é que me vá apercebendo da sua existência.

Ontem foi um dia bom! Apesar de todas as peripécias que me aconteceram ao longo do dia, quando deitei a cabeça na almofada fi-lo com a sensação de ter tido um bom dia, um dia com muitas coisas boas! E, mesmo estando ensonada, voltei a acender a luz, peguei num dos meus caderninhos e registei-as.

Desde que visitei o Museu do 11 de Setembro, em Nova Iorque, este exercício passou a ter outra importância. Visitar esse Museu foi um dos momentos mais emocionantes da minha viagem. É difícil ficar indiferente e ser apenas factual face ao que se observa naquele espaço. Ali, também assistimos a um bocadinho da nossa própria História. Arriscaria a dizer que todos sabem onde estavam no dia 11 de Setembro de 2001. Quase todos conseguimos descrever o nosso dia. E quando entramos ali, vemos o outro lado desse dia. Não vou alongar-me a falar sobre o Museu, mas recomendo vivamente que, se tiverem oportunidade, o visitem. Voltemos às coisas boas e ao porquê de agora esses registos terem outro peso.

Numa das paredes estão expostos objetos que pertenciam a ocupantes dos aviões. Um dos que me chamou à atenção foi aquele: uma lista. Durante anos uma senhora registava todos os dias 5 coisas pelas quais estava grata naquele dia. Podiam ser coisas que lhe tinham acontecido ou constatações da vida. Coisas que normalmente damos por garantidas e, por isso, não valorizamos tanto. Água potável na torneira, por exemplo.

Quando uma pessoa gosta de cadernos, de escrever no papel e fazer listas, listas como estas saltam-lhe facilmente à vista. Aproximamo-nos, lemos, respiramos fundo e depois pensamos… caramba… o que teria ela escrito naquele dia? Quais seriam os motivos pelos quais ela estava grata? E no dia anterior? E é difícil.

Não me lembro sequer do nome da senhora, recordo-me de alguns dos pormenores que estavam escritos na descrição daquele objeto, no entanto, sempre que agora penso numa das minhas coisas boas, ou sempre que penso em registá-las, a imagem daquele pedaço de papel aparece sempre.

Todos os dias temos motivos para agradecer. Todos os dias temos, pelo menos, uma coisa boa a registar.

As corridas, as músicas e os amigos

Uma pessoa que leia dois posts seguidos em que eu falo de corrida… pode não acreditar quando digo que não é o meu desporto favorito. Mas acreditem, não é! Contudo… é algo que me faz superar os meus limites e me “obriga” a desafiar-me, metro após metro. Também pode pensar que me farto de correr, o que também não corresponde à verdade. Nem sempre apetece correr e nunca consegui fazer um percurso completo em corrida. Nunca, como quem diz até hoje. Amanhã não sabemos.

Descobri, nas saídas que fazia para “correminhar”, que o último programa da Inês Menezes na Radar tinha os ritmos certos para me acompanhar e por isso, durante esses momentos de liberdade e esforço físico, ouvi-o repetidamente.

Hoje quando oiço essas músicas consigo visualizar alguns dos momentos em que as ouvi na altura. Nalguns casos passaram a representar partes do percurso, noutras passaram a representar sensações. Todas passaram a ter um papel importante.

Se há uns dias falava da música dos Muse, que fica para sempre associada à corrida de São Silvestre de 2019 (sim, porque quem já participou numa… pode participar em mais), hoje falo de uma dos Arcade Fire. Chama-se No Cars Go e era o mote para começar a correr.

Durante 5 minutos e 43 segundos eu passava por uma horta urbana, via papoilas, enchia-me de força e acreditava que era capaz de tudo, depois começava uma das partes da música que eu mais gosto e também começava o Tico a dizer ao Teco que não aguentava mais. Nessa altura, normalmente numa zona a subir, o Teco tinha que dizer ao Tico que era tudo da cabeça dele e que ele conseguia! Dizia-lhe para ouvir a música e continuar! Para se deixar “embalar” pelo ritmo e lembrar-se como se sentia quando chegasse ao final daquela reta enorme, numa zona onde os carros não podiam passar, e os dois, o Tico e o Teco, se iam sentir os maiores porque tinham conseguido.

Falava no outro dia com um amigo sobre a capacidade que as músicas têm de nos levar a memórias muito antigas, a momentos muito felizes, assim como a momentos muito tristes. A música faz-nos companhia. É como aquele amigo que nos ajuda a superar momentos mais difíceis ou sai connosco para celebrar grandes vitórias (como conseguir correr 5 minutos e 43 segundos de seguida).

Esta teve essa dupla capacidade. Especialmente nos últimos 2 minutos!

 

 

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