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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Todos os dias temos motivos para agradecer

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Há muito tempo que queria escrever este post e nunca soube bem como o fazer. Talvez porque, apesar do tema me ser bastante próximo, há um peso de respeito e responsabilidade no que quero contar.

Vou falar das listas de coisas boas, diários de gratidão, o que lhe quiserem chamar. Acho que percebem a ideia.

Já há uns tempos que costumo registar as coisas boas que vão acontecendo comigo e/ou à minha volta. O registo escrito não é uma prática tão regular como eu gostaria, mas o que realmente importa é que me vá apercebendo da sua existência.

Ontem foi um dia bom! Apesar de todas as peripécias que me aconteceram ao longo do dia, quando deitei a cabeça na almofada fi-lo com a sensação de ter tido um bom dia, um dia com muitas coisas boas! E, mesmo estando ensonada, voltei a acender a luz, peguei num dos meus caderninhos e registei-as.

Desde que visitei o Museu do 11 de Setembro, em Nova Iorque, este exercício passou a ter outra importância. Visitar esse Museu foi um dos momentos mais emocionantes da minha viagem. É difícil ficar indiferente e ser apenas factual face ao que se observa naquele espaço. Ali, também assistimos a um bocadinho da nossa própria História. Arriscaria a dizer que todos sabem onde estavam no dia 11 de Setembro de 2001. Quase todos conseguimos descrever o nosso dia. E quando entramos ali, vemos o outro lado desse dia. Não vou alongar-me a falar sobre o Museu, mas recomendo vivamente que, se tiverem oportunidade, o visitem. Voltemos às coisas boas e ao porquê de agora esses registos terem outro peso.

Numa das paredes estão expostos objetos que pertenciam a ocupantes dos aviões. Um dos que me chamou à atenção foi aquele: uma lista. Durante anos uma senhora registava todos os dias 5 coisas pelas quais estava grata naquele dia. Podiam ser coisas que lhe tinham acontecido ou constatações da vida. Coisas que normalmente damos por garantidas e, por isso, não valorizamos tanto. Água potável na torneira, por exemplo.

Quando uma pessoa gosta de cadernos, de escrever no papel e fazer listas, listas como estas saltam-lhe facilmente à vista. Aproximamo-nos, lemos, respiramos fundo e depois pensamos… caramba… o que teria ela escrito naquele dia? Quais seriam os motivos pelos quais ela estava grata? E no dia anterior? E é difícil.

Não me lembro sequer do nome da senhora, recordo-me de alguns dos pormenores que estavam escritos na descrição daquele objeto, no entanto, sempre que agora penso numa das minhas coisas boas, ou sempre que penso em registá-las, a imagem daquele pedaço de papel aparece sempre.

Todos os dias temos motivos para agradecer. Todos os dias temos, pelo menos, uma coisa boa a registar.

As corridas, as músicas e os amigos

Uma pessoa que leia dois posts seguidos em que eu falo de corrida… pode não acreditar quando digo que não é o meu desporto favorito. Mas acreditem, não é! Contudo… é algo que me faz superar os meus limites e me “obriga” a desafiar-me, metro após metro. Também pode pensar que me farto de correr, o que também não corresponde à verdade. Nem sempre apetece correr e nunca consegui fazer um percurso completo em corrida. Nunca, como quem diz até hoje. Amanhã não sabemos.

Descobri, nas saídas que fazia para “correminhar”, que o último programa da Inês Menezes na Radar tinha os ritmos certos para me acompanhar e por isso, durante esses momentos de liberdade e esforço físico, ouvi-o repetidamente.

Hoje quando oiço essas músicas consigo visualizar alguns dos momentos em que as ouvi na altura. Nalguns casos passaram a representar partes do percurso, noutras passaram a representar sensações. Todas passaram a ter um papel importante.

Se há uns dias falava da música dos Muse, que fica para sempre associada à corrida de São Silvestre de 2019 (sim, porque quem já participou numa… pode participar em mais), hoje falo de uma dos Arcade Fire. Chama-se No Cars Go e era o mote para começar a correr.

Durante 5 minutos e 43 segundos eu passava por uma horta urbana, via papoilas, enchia-me de força e acreditava que era capaz de tudo, depois começava uma das partes da música que eu mais gosto e também começava o Tico a dizer ao Teco que não aguentava mais. Nessa altura, normalmente numa zona a subir, o Teco tinha que dizer ao Tico que era tudo da cabeça dele e que ele conseguia! Dizia-lhe para ouvir a música e continuar! Para se deixar “embalar” pelo ritmo e lembrar-se como se sentia quando chegasse ao final daquela reta enorme, numa zona onde os carros não podiam passar, e os dois, o Tico e o Teco, se iam sentir os maiores porque tinham conseguido.

Falava no outro dia com um amigo sobre a capacidade que as músicas têm de nos levar a memórias muito antigas, a momentos muito felizes, assim como a momentos muito tristes. A música faz-nos companhia. É como aquele amigo que nos ajuda a superar momentos mais difíceis ou sai connosco para celebrar grandes vitórias (como conseguir correr 5 minutos e 43 segundos de seguida).

Esta teve essa dupla capacidade. Especialmente nos últimos 2 minutos!

 

 

Mudanças ou os Ventos de Santa Ana

No filme “The Holiday” há uma cena muito simples mas com imenso significado. Para mim, pelo menos. Fala dos ventos de Santa Ana. Para quem não viu o filme, trata de duas mulheres que decidiram dar uma volta nas suas vidas, numa espécie de fuga prá frente, e por isso, num impulso, inscrevem-se num site de troca de casas. Uma em Inglaterra, outra nos Estados Unidos. Na Califórnia mais precisamente.

Voltando à cena: uma delas está em frente da sua “nova” casa com um dos personagens e sopram ventos fortes. E ele diz-lhe: “The wind...It's what makes it so warm at this time of the year. Legend has it, when Santa Anas blow, all bets are off, anything can happen.”

Nas duas últimas semanas estes ventos devem ter andado a soprar por estes lados. Em imensas pequenas coisas senti que era altura de mudanças. E quando são vários os sinais… uma pessoa deve fazer por segui-los, não é?

Tudo começou com uma saudade de tempos bons. Tempos em que recebíamos amigos em casa para jantares animados, com partilha de alimentos e experiências. Depois foi a oportunidade de me desfazer de dois telemóveis antigos, daqueles que estão ali na gaveta porque não sabemos o que lhes fazer. Com a mudança de telefone… veio também toda uma nova oportunidade: novas conversas. Sem histórico. A minha resistência à mudança manifesta-se neste tipo de coisas… mudar de telemóvel implica ganhar umas coisas e perder outras. Desta vez decidi que ia ver esta “chatice” como uma oportunidade para o novo. Novas conversas, filtrar o que importa e alimentar o que nos faz bem.

Também senti o ímpeto de fazer algumas alterações em casa. Deixar de adiar esta ou aquela tarefa. Dar prioridade aquilo que embora considere prioritário, é muitas vezes adiado. E senti vontade de sair para caminhar, até nos dias em que não precisava de o fazer para me deslocar do ponto A ao ponto B. E com estas “vontades” consegui superar-me mais uma vez. E essa sensação é sempre boa!

As mudanças trazem normalmente algumas dores… nem que sejam musculares! Implicam desfazer nós, desfazermo-nos de coisas/situações com as quais já estamos confortáveis, mesmo que saibamos que já não fazem parte do que somos ou do que queremos ser. Mas é mais fácil, ou parece muito mais fácil, manter do que mudar.

Mas ao mesmo tempo, as mudanças também trazem leveza, ar fresco, oportunidades de melhoria e renovação. De fazer um upgrade à nossa própria versão. Mesmo que sejam ligeiras atualizações… são sempre atualizações!

E por isso não se esqueçam, se sentirem um ventinho passar, aquela brisa quentinha na cara, pensem nos Ventos de Santa Ana e deixem-se voar. Está tudo em jogo, e tudo pode acontecer!

 

P.S.: No Domingo à noite, num fim de semana em que me empenhei nesta coisa da mudança e por isso estava feliz mas exausta… decidi ultrapassar o cansaço e fui “correminhar” como diz uma das minhas amigas. Ia apenas caminhar, mas apeteceu-me correr um bocadinho e acelerei o passo. Fui a ouvir o “Era o que faltava” com o Rodrigo Leão, que recomendo. Quando estava quase a chegar a casa ouvi uma das músicas dele que mais gosto, que me deixa bem disposta e que até já foi o meu serviço despertar (se calhar vai voltar a ser). Espero que anime também o vosso dia!

 

 

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