Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

9:12 Estação de Metro do Saldanha

Quem anda de transportes públicos recorrentemente sabe que a probabilidade de se cruzar com as mesmas pessoas, às mesmas horas, nas mesmas paragens, estações ou carruagens, é muito elevada.

Quem anda de transportes públicos recorrentemente também sabe que há dias em que mal nos conseguimos mexer, mal conseguimos tirar a mão do bolso e muito menos segurar um livro que nos faz viajar até outros destinos.

O ritmo dos dias, para quem anda ou não de transportes, faz com que as nossas viagens sejam sempre apressadas, com que raramente aproveitemos o tempo e o espaço que esses minutos nos proporcionam. Andamos apressados, fazemos sprints de um lado para o outro e rebentamos “a bolha” constantemente.

É nessa bolha que eu, que ando de transportes públicos recorrentemente, me cruzo com uma mesma pessoa, mais ou menos à mesma hora, sempre na mesma estação de metro, sempre no mesmo lugar.

É uma rapariga jovem, cabelo comprido, encaracolado, normalmente sentada “à chinesa”, livro nas mãos, sorriso na cara e sem tempo. Não a vejo com pressa de chegar a nenhum lado. Não a vejo com ar cansado de quem vai começar mais um dia. Não a vejo preocupada com absolutamente nada. Está ali a aproveitar a sua bolha e a fazer-me pensar que nunca devo deixar que rebentem a minha!

Um dia destes pensei em parar para lhe agradecer. Mas isso ia fazer com que fosse eu a quebrar aquele momento, e não o fiz. Por isso, aqui fica o meu agradecimento! Quem sabe ela não tem por hábito ler blogs e um dia este post lhe chega “às mãos”.

 

Curiosamente screvi este post ao som de uma música que tem nome de livro. Haverá coincidências?

 

 

Não nasci para ser infeliz!

via

«Quando se acredita que a vida não pode ser resumida às simples acções mecânicas do dia a dia e sabemos que tudo é possível enquanto não tivermos prova do contrário. Quando sorrimos para vida independentemente da natureza dos acontecimentos, quando sabemos que a escuridão não existe sem luz e que esta última está sempre disponível para nós, se quisermos vê-la. Quando entendemos que a vida transforma-se quando aceitamos mudar a nossa forma de pensar, independentemente da idade, da situação social ou geográfica, independentemente do que temos ou somos. Então, tudo pode acontecer. Se muitos estão sempre à espera do pior, eu procuro o que me faz feliz. E se falhar, é para encontrar uma nova forma, mas pertinente e mais assertiva, de construir o meu caminho.»

Jean-Pierre Oliveira no às nove no meu blog

 

No início do ano, e referindo-me à passagem de ano, escrevi: "No dia 1, quando acordei, estava praticamente tudo na mesma. Mudou o último algarismo da data e, de alguma forma, mudei eu. Acordei bem-disposta, de bem com a vida e pronta para o que este ano reserva para mim! Se realmente as coisas que fazemos na passagem de ano tiverem influência no decorrer do ano acho que daqui a 358 dias (mais coisa menos coisa) estarei aqui a dizer “que ano BOM que eu tive!!!”. Na verdade, o que realmente pode mudar somos nós, o resto vem por arrasto!".

Ontem vi um exercício que sugeria que analisássemos os aspetos marcantes da nossa última década. Comecei essa análise e ainda estou a refletir sobre o tema, mas decidi fazer outro, que também fiz no ano passado. No ano passado essa análise terminava com um desejo: "É isto que eu quero para 2019, mesmo que sob outras formas, outros desafios e outras descobertas. Quero viajar, divertir-me, aprender, sair da minha zona de conforto, relacionar-me, continuar a usar baton vermelho, fazer algo pelos outros, mas também fazer coisas por mim. Ainda não foi desta que fiz a playlist da TSF mas… lá chegaremos!".

A playlist da TSF continua em lista de espera mas... relativamente a 2019 já tenho uma página cheia de coisas boas que aconteceram este ano! Hoje quando li no blog da Sofia o texto que deixei no início do post pensei "é mesmo isto!". A vida prega-nos muitas vezes grandes partidas. Muitos pontapés nas canelas, muitas rasteiras. Mas por outro lado também nos dá oportunidades. A cada queda que damos, ou a cada dor que sentimos, corresponde uma oportunidade. Nesses momentos podemos escolher o caminho que preferimos seguir. E normalmente isso passa por decidir ser feliz ou infeliz. Na grande maioria dos casos, a minha opção é sempre a primeira! Não nasci para ser infeliz!

 

 

Uma carta de cada vez

via

É conhecido o meu gosto pelas cartas e postais. Gosto de as escrever e adoro o momento em que abro a caixa do correio e um pedaço de papel me surpreende. Para mim é magia! Um destes dias recebi numa newsletter uma sugestão de um novo podcast. A Arianna Huffington sugeria uma meditação através de histórias. Alguém conta uma história, ou melhor, uma parte da sua história e ao longo da mesma somos levados a meditar sobre alguns temas da nossa própria vida.

Claro que quando há no meio de uma série de episódios um que se chama “One envelope at a time”, qual é que acham que eu ouvi?!

A história partilhada está carregada de momentos dolorosos. Mas por outro lado, fala do poder que uma carta pode ter. Do poder que escrever uma carta à mão pode ter. Para quem a recebe e para quem a escreve. Do poder que uma carta tem na criação e fortalecimento de laços.

All these technological rhythms are embedded in my day and yet what do they prove? They're not tangible. I can’t hold the texts I send close to my chest and trace them for a scent. The digital footprint, as mammoth as it may be, isn’t proof that you and I were here. That we lived. That we loved. That we danced in the kitchen to no music at all, or that we held someone’s hand or made them a cup of herbal tea when their world came crashing down around them. - diz Hannah Brencher na sua história.

Na Flow deste mês falam de uma escritora de viagens que tem por hábito escrever-se cartas ou emails enquanto anda a viajar. Tenho um hábito semelhante, envio-me sempre um postal. E também com esse, que eu sei que vai chegar, consigo sentir a magia no momento de abrir a caixa do correio. Não sei porque a Kassondra Cloos o faz, na verdade… também não sei muito bem explicar o porquê de eu o fazer… mas recomendo!

Ontem, enquanto aproveitava uns momentos entre o rebuliço da cidade sentada na mesa de um café, reparei num senhor que se sentou ao meu lado com um chá, um caderno, o mais normal possível, e uma caneta. Eu também tinha um caderno pequeno e uma caneta, o mais normal possível. Escreveu a data no topo da folha, por extenso, e continuou a escrever. Certamente que escrevia uma carta a si mesmo. Que será um diário mais do que um conjunto de cartas que nunca nos enviamos pelo correio? Olhei para ele e pensei “este senhor serei eu nos próximos dias”.

 

P.S.: Amanhã mostro-vos aqui a história de uma outra carta, numa história contada por uma outra pessoa. Uma história gira que me contaram e que quero partilhar!

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D