Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

33. Deixar um livro por aí

“Pegou no livro, sorriu, mostrou à amiga, sorriu mais um bocadinho, abraçou-o e levou-o ao colo.” Este foi o final da história! Vamos começar pelo princípio e sem o “Era uma vez”.

 

Convenci uns dos meus colegas a participar nesta missão: deixar um livro num lugar público e esperar que alguém o leve! Na hora do almoço lá fomos os três, com cara de quem vai tramar alguma, direitinhos ao local mais movimentado da zona.

 

A sensação de ir deixar um segredo à vista de toda a gente, na hora de almoço de um dos locais mais agitados da cidade, é muito engraçada. Parece que estamos a fazer algo ilícito. Quando na verdade… era apenas um livro.

 

Este era o plano:

  1. Sentarmo-nos na esplanada mais próxima;
  2. Analisarmos o melhor banco onde deixar o livro;
  3. Sorrateiramente deixá-lo lá como se nada fosse;
  4. Ficar na esplanada à espera até alguém pegar nele.

 

Decidimos deixar o livro num dos bancos perto da paragem do autocarro. Como há sempre gente à espera do autocarro… pareceu-nos ter potencial. Lá fui eu, sentei-me no banco, deixei-o, levantei-me e voltei para a esplanada, como se não fosse nada comigo. NADA! Nem uma alminha olhou para o dito…

 

Como em todos os projetos, quando a coisa não está a funcionar, avalia-se e definem-se novas estratégias! Assim foi. Mudámos de banco. Desta vez num local de passagem, entre um quiosque de revistas, o metro e um quiosque de cafés.

 

Passa a primeira pessoa. Sustemos a respiração. Olha para o livro e… segue o seu caminho. Voltamos a respirar. Aproximam-se duas raparigas, abrandam o passo, uma delas olha de lado para o banco, nós sustemos a respiração e elas param! Uma delas pega no livro, a outra mantém-se desconfiada. Leva? Não leva? Começamos quase a fazer apostas. Mexe no livro, folheia-o, sorri, abraça-o e segue com um sorriso de orelha a orelha! Ela e nós!

 

Ia mesmo com um ar feliz quando passou pela esplanada. Mal ela sabia que estávamos a observá-la desde que se aproximou do banco e o fizemos até que deixou de estar no nosso campo de visão. Foi uma experiência mesmo engraçada! E ela ia mesmo feliz!

 

O que falta aqui contar é que na capa do livro estava um autocolante do booksharing.pt e uma fita vermelha. Afinal de contas era um presente!

 

booksharing.jpg

 

 

Música para os meus ouvidos

A D. Celeste, minha professora de música, confirmaria esta declaração: eu até gosto de música mas não dou uma prá caixa. Contudo! Há quem considere que eu tenho cultura musical. Eu, que não distingo um sol de um ré menor.

 

A questão é que, na verdade, gosto de ouvir música. Gosto de descobrir coisas novas e criar playlists para momentos específicos. Sejam eles alegres ou tristes.

 

Numa das minhas leituras das férias fiquei a conhecer um senhor cuja vida se dedica a isso mesmo: criar playlists! Chama-se Levy Gasparian (se pesquisarem pelo nome dele, curiosamente aparece um município no Brasil…) e trabalha em Marketing Sensorial. Na empresa Mufyn (Music For Your Needs) criam-se “bandas sonoras” para que a nossa experiência em lojas, empresas, aeroportos, etc, seja mais agradável. Giro não acham?

 

Deixou-me o bichinho de voltar a criar uma playlist. Vou começar por listar as músicas que de alguma forma me marcam durante 2019. Quem sabe não é este ano que a TSF me chama para divulgar uma playlist… 

 

Hoje deixo aqui uma música que descobri com uns amigos, uns anos depois passou a fazer-me lembrar uma viagem boa mas num momento difícil e agora, lembra-me um sítio que eu gosto muito e uns dias muito bem passados! 

 

 

 

Quando uma pessoa gosta daquilo que faz, isso nota-se!

via

 

No dia seguinte a fazer anos fui à Almedina do Saldanha comprar um presente para mim. Tenho por prática registar numa lista os livros que quero ler, consultar, comprar, ir buscar à biblioteca e por isso… as idas às livrarias, quando tenho intenção de comprar, são relativamente simples. Chego à livraria, vejo se encontro os livros e, se não os encontrar à primeira vista, peço ajuda.

 

Desta vez o processo foi outro. Cheguei e pedi logo ajuda. Tinha uma dúvida e esclarecê-la ia simplificar as coisas. Fiz a minha pergunta e logo aí deu para perceber: estava a ser atendida por alguém que gosta daquilo que faz!

 

Tivesse eu estado ligeiramente mais atenta e teria percebido isso logo pela forma como fui recebida. Mas como por norma sou sempre bem recebida naquela loja… não estranhei. Depois, a loja estava praticamente vazia. Sexta-feira, por volta das 19h00… era mais de ir para a esplanada do que para a livraria.

 

A pessoa que me atendeu disponibilizou-se para recolher todos os livros que eu queria ver, falámos sobre esses e sobre outros autores, e depois de me dar os livros sugeriu-me que me sentasse numa mesa, cheia de livros por arrumar – como ela referiu, e que estivesse à vontade a folhear os livros para decidir quais iria levar. Aceitei a sugestão e quando tinha as minhas decisões tomadas fui ter à caixa para terminarmos o processo da compra. E ela sempre com um sorriso, sempre com o mesmo ar: ar de quem gosta daquilo que faz!

 

Perguntei-lhe isso mesmo, só para confirmar. Respondeu-me que sim! Agradeci-lhe e pedi-lhe que continuasse assim. Quando uma pessoa gosta daquilo que faz, isso nota-se!