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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

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“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Qual é o teu extinto favorito?

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Um dia falava com uns amigos sobre perguntas meio estranhas que nos fazem. A pergunta preferida de um deles é "qual o teu extinto favorito?". Diz que isso diz muito sobre as pessoas. O Mamute aparece sempre no leque de respostas. Nessa conversa também apareceu uma galinha da qual eu já não sei o nome e o Dodô. 

 

As notícias de ontem falavam mais do mesmo. Política, corrupção, sarampo e da invasão da privacidade por parte do Facebook. E falaram também da extinção de uma espécie: o rinoceronte-branco-do-norte. E essa foi a notícia que mais me preocupou. 

 

É possível que se extingam espécies de animais com mais frequência do que aquela que eu imagino. Mas esta fez-me pensar na pergunta do Duarte. O nosso animal extinto favorito é sempre algum que se extinguiu há muito muito tempo atrás. Parece que é coisa que não é do nosso tempo. Algo pré-histórico. E depois, morre o último macho de uma espécie. E sabemos o que isso significa. 

 

Nunca vi um animal desses, não é animal de companhia, vive num mundo muito diferente do meu, mas morreu. E eu fiquei triste. Triste e incomodada. Já penso muitas vezes no que andamos a fazer ao planeta. Talvez essa coisa de acontecer tudo "num mundo muito diferente do meu" seja um dos problemas. Achamos sempre que não nos vai calhar. Como a questão da falta de água no interior do país. "Ai isso é lá, aqui não vai faltar" - como quem diz "isso não é problema meu". Pode não faltar mas o impacto pode ser grande. E são estas pequenas coisas. O que temos de mudar?!

 

Como disse, nunca vi um animal destes, não sei nada sobre ele para além do facto de ter morrido no meu tempo. Optei por não ir pesquisar nada sobre ele antes de escrever este texto. Mas vou fazê-lo. Quero saber mais sobre ele. Embora isso agora também não faça grande diferença. Mas quero saber mais sobre ele porque infelizmente há uma grande probabilidade de ele passar a ser o meu extinto favorito. E usar a palavra "favorito" aqui pode parecer mal. Dito assim parece muito mal. Mas a confirmar-se a sua extinção, mesmo que daqui por uns bons anos, é o que ele vai ser. E não é por lhe achar piada, por ser o antepassado de um animal que conheço agora, por ter cores bonitas ou uma forma estranha. Vai ser o meu extinto favorito para me lembrar de que o planeta é só um. E não, não vou fazer dele um mártir, vou fazer dele um lembrete.

 

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