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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

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“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

O regresso da Missão Destralhar?

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Este fim de semana, enquanto tratava dos meus afazeres domésticos, dei-me conta de que algo não estava a bater certo. Havia ali qualquer coisa que não me estava a agradar. E depois comecei a ver as coisas com olhos de ver e percebi o que era. Estou a precisar de nova Missão Destralhar. Na realidade... nem é bem uma nova missão, é a mesma. 

 

Num podscast que ouvi recentemente falavam no ciclo do minimalismo. Falavam nas várias fases do processo minimalista e eu reconheci-me nelas. Não em todas mas numa grande parte. Não que me considere minimalista, daqueles minimalistas que têm apenas e só o que precisam. Estou mesmo muito longe disso. Estou entre esses e a Marie Kondo. Procuro ter apenas coisas que gosto, que são úteis e me fazem feliz. 

 

E o ciclo é mais ou menos assim: há um dia em que olhamos à nossa volta e alguma coisa não bate certo. Não sabemos bem o porquê mas de repente não queremos ter tantas coisas. Não queremos ter de limpar, de arrumar, de descobrir lugares para enfiar mais isto ou aquilo, e sobretudo, não queremos ver as coisas que não têm lugar amontoadas em cima da mesa, no escritório, na dispensa, na garagem, onde seja. Não queremos. Também não queremos comprar mais uma tesoura porque não sabemos onde está a nossa. E quem diz uma tesoura diz outra coisa qualquer. E esse é o primeiro passo. 

 

Depois começamos a reparar nas imagens que vemos. Estão por todo o lado. São blogs, são perfis de instagram, são as casas dos amigos, são revistas e livros. De um momento para o outro vemos as coisas com outros olhos. E neste caso a comparação, quando controlada, pode ser bastante positiva. Começamos a ver a nossa casa com aquele filtro que nos diz que se calhar não precisamos destes utensílios na cozinha, ou não precisamos de 3 objetos com a mesma função, não precisamos de cds com música que na realidade não gostamos ou livros que nunca lemos. Também não precisamos de roupa que não nos serve porque está grande, ou porque está pequena. Nem daquelas t-shirts que nos ofereceram nas festas da Universidade. E quem diz as t-shirts também diz os apontamentos da Universidade ou de uma formação que fizemos há que séculos! E eu podia continuar. Mas acho que já perceberam.

 

E aí... há outro dia em que pomos mãos à obra e sem medos. Os primeiros passos são mais controlados. Começamos por uma gaveta, uma caixinha, uma prateleira. Pequenos passos não é o que se recomenda? Uma coisa de cada vez, dizem. Mas entretanto, vemos o efeito que teve organizar a gaveta das meias, ou vemos a primeira prateleira bonitinha, ou ficamos com uma caixa que deixa de ter função. E aí é uma emoção! Queremos dar conta da casa toda! 

 

Até que esbarramos no mesmo problema de sempre: falta de motivação extra. Começamos a ter outras coisas mais importantes para fazer, problemas para resolver, coisas que não sabemos onde colocar, e paramos. Às vezes por tempo indeterminado. Até que chega novamente um dia em que saímos da velocidade cruzeiro e atacamos novamente o monstro! Podemos ter motivo, ou não. Podemos ter uns amigos a passar o fim de semana ou a sogra para jantar. Cada um daqueles que está a ler este texto e com ele se identifica irá saber do que falo. Há sempre um motivo. E por vezes é apenas o impulso que faltava. E conseguimos! Ficamos super felizes porque olhamos à nossa volta e está tudo tão parecido com aquilo que imaginámos ser a nossa casa preferida.

 

Ganhamos tempo, sabemos onde está tudo, só temos coisas que nos fazem felizes. Até ao dia! É sempre assim, não é? Há sempre um dia em que olhamos à nossa volta e afinal... já não está tudo como gostávamos. E começa tudo outra vez! É como o jogo do repete repete! É por isso que acho que esta coisa da missão destralhar não é propriamente uma missão. Tem de ser uma forma de estar na vida. 

 

 

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