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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

A gruta na Serra da Arrábida

via

 

Subi e desci a Serra da Arrábida quando tinha uns 16 ou 17 anos. Já não consigo precisar. Não tenho o dom de guardar essas memórias como uma agenda o faz. Subi e desci a Serra da Arrábida numa altura em que muitas coisas eram possíveis. Aliás, naquela altura parecia que tudo era possível!

 

Nessa noite ficámos numa gruta. Para chegar a essa gruta tínhamos que descer uma escadaria e depois, ao fundo da gruta, víamos o mar. Cá em cima havia um pequeno espaço. Como se fosse a entrada de uma casa. E aí a vista era uma coisa... não dá para explicar! Víamos o mar, as estrelas, ouvíamos as ondas a rebentar e o luar. Tocávamos guitarra e cantávamos. Cansados, mas tínhamos 16 ou 17 anos.

 

Era uma altura em que se aprendia a tocar guitarra, com as Dunas, claro! Uma altura em que se decoravam todas as músicas e todas as letras das bandas do momento. Cantava-se, afinadamente ou não, e faziam-se segundas vozes. Contavam-se piadas, gozava-se com as aventuras e desventuras do grupo naquele dia e o cansaço desaparecia.

 

Sempre que vejo uma imagem como esta ou oiço o "A noite" - sobretudo na versão dos Resistência - lembro-me dessa noite na gruta.

 

Um destes dias fui jantar com um amigo que é de Setúbal. Falou-me de uma discoteca que havia mesmo em cima do mar, numa altura em que isso também era muito possível. Lembrei-me dessa noite na gruta e disse-lhe "Fui tão feliz na Serra da Arrábida!".