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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

É um privilégio

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Dei comigo a pensar nisto no outro dia: sou uma pessoa privilegiada!

Este “novo normal” fez com que alguns dos meus hábitos tivessem que ser alterados. Os meus, e os de todos, mas cada um falará por si.

Uma das coisas que mudou na minha vida foi a forma como me desloco na cidade. Quando deixei de circular apenas na zona onde vivo e passei a ter de ir para uma zona mais central da cidade, decidi ir a pé. Não são as caminhadas que fazia ao final do dia, nem dá para correr caso apeteça. O que é raro… apetecer-me correr, mas às vezes acontece.

Comecei a ir trabalhar a pé. Faço 5 kms para um lado e 5kms para o outro. Não acontece todos os dias, mas acontece muito frequentemente. Os caminhos que faço são praticamente sempre os mesmos, com uma ou outra alteração, mas nada de muito diferente.

Um dos motivos pelos quais sou uma pessoa privilegiada é o poder passar por um dos espaços mais bonitos da cidade: o jardim da Gulbenkian. Todos os dias passo por ele, escolho um dos percursos que me leva ao outro lado, vejo os patos e patinhos, as árvores, os riachos, as flores, respiro fundo e agradeço! Até já sei onde o gato residente dorme a sua sesta ao final do dia. Só falta sermos apresentados.

De manhã a natureza está a cuidar de si própria. Ao final do dia, estão famílias, amigos ou pessoas sozinhas a aproveitar o verde e a respirar fundo. Na semana passada, pude assistir a um pequeno ensaio para um concerto que ali ia acontecer. Tudo com as devidas distâncias. Hoje vi os patos a apanhar sol. Também eles com as devidas distâncias. Nada disto eu teria visto se continuasse a andar de transportes públicos.

Chego ao final da semana muito cansada e quando acordo… as pernas também acordam cansadas. Mas depois, penso na possibilidade que tenho de me deslocar na cidade a pé, de poder ver tudo o que vejo e experienciar tudo o que experiencio. E isso é um privilégio.

No fim de semana ouvi o episódio do The Gratitude Diaries – Feel better about your body onde a autora partilha uma história breve e onde fala de um pequeno mantra muito curioso sobre a gratidão e os dias em que a coisas não correm como queremos: “tenho dois braços, duas pernas, olhos que conseguem ver, tudo razões para estar grato”. Eu acordo cansada, mas tenho pernas para fazer o caminho e olhos para ver aquilo com que me cruzo. Tudo razões para estar grata!

Mudanças ou os Ventos de Santa Ana

No filme “The Holiday” há uma cena muito simples mas com imenso significado. Para mim, pelo menos. Fala dos ventos de Santa Ana. Para quem não viu o filme, trata de duas mulheres que decidiram dar uma volta nas suas vidas, numa espécie de fuga prá frente, e por isso, num impulso, inscrevem-se num site de troca de casas. Uma em Inglaterra, outra nos Estados Unidos. Na Califórnia mais precisamente.

Voltando à cena: uma delas está em frente da sua “nova” casa com um dos personagens e sopram ventos fortes. E ele diz-lhe: “The wind...It's what makes it so warm at this time of the year. Legend has it, when Santa Anas blow, all bets are off, anything can happen.”

Nas duas últimas semanas estes ventos devem ter andado a soprar por estes lados. Em imensas pequenas coisas senti que era altura de mudanças. E quando são vários os sinais… uma pessoa deve fazer por segui-los, não é?

Tudo começou com uma saudade de tempos bons. Tempos em que recebíamos amigos em casa para jantares animados, com partilha de alimentos e experiências. Depois foi a oportunidade de me desfazer de dois telemóveis antigos, daqueles que estão ali na gaveta porque não sabemos o que lhes fazer. Com a mudança de telefone… veio também toda uma nova oportunidade: novas conversas. Sem histórico. A minha resistência à mudança manifesta-se neste tipo de coisas… mudar de telemóvel implica ganhar umas coisas e perder outras. Desta vez decidi que ia ver esta “chatice” como uma oportunidade para o novo. Novas conversas, filtrar o que importa e alimentar o que nos faz bem.

Também senti o ímpeto de fazer algumas alterações em casa. Deixar de adiar esta ou aquela tarefa. Dar prioridade aquilo que embora considere prioritário, é muitas vezes adiado. E senti vontade de sair para caminhar, até nos dias em que não precisava de o fazer para me deslocar do ponto A ao ponto B. E com estas “vontades” consegui superar-me mais uma vez. E essa sensação é sempre boa!

As mudanças trazem normalmente algumas dores… nem que sejam musculares! Implicam desfazer nós, desfazermo-nos de coisas/situações com as quais já estamos confortáveis, mesmo que saibamos que já não fazem parte do que somos ou do que queremos ser. Mas é mais fácil, ou parece muito mais fácil, manter do que mudar.

Mas ao mesmo tempo, as mudanças também trazem leveza, ar fresco, oportunidades de melhoria e renovação. De fazer um upgrade à nossa própria versão. Mesmo que sejam ligeiras atualizações… são sempre atualizações!

E por isso não se esqueçam, se sentirem um ventinho passar, aquela brisa quentinha na cara, pensem nos Ventos de Santa Ana e deixem-se voar. Está tudo em jogo, e tudo pode acontecer!

 

P.S.: No Domingo à noite, num fim de semana em que me empenhei nesta coisa da mudança e por isso estava feliz mas exausta… decidi ultrapassar o cansaço e fui “correminhar” como diz uma das minhas amigas. Ia apenas caminhar, mas apeteceu-me correr um bocadinho e acelerei o passo. Fui a ouvir o “Era o que faltava” com o Rodrigo Leão, que recomendo. Quando estava quase a chegar a casa ouvi uma das músicas dele que mais gosto, que me deixa bem disposta e que até já foi o meu serviço despertar (se calhar vai voltar a ser). Espero que anime também o vosso dia!

 

 

Tudo o que eu não tenho feito

via

Há tanta coisa que eu não tenho feito nestes 60 dias... aquilo que a maioria das pessoas fez nas primeiras semanas desde que fomos "convidados" a vir para casa... passado 60 dias eu ainda não fiz! De algumas tenho pena, de outras... 

Conversava ontem com uma amiga sobre isso mesmo, sobre tudo o que vimos pessoas fazer neste período de tempo enquanto que nós... fomos fazendo. Mas isso não é necessariamente mau.

Muitas vezes o melhor mesmo é parar, aceitar e aproveitar. Quando conseguimos avançar com os nossos projetos, sejam eles quais forem, avançamos, quando precisamos de ir vivendo, vamos. 

Foi um pouco isso que senti no início: horas e mais horas de atividades e conteúdos imperdíveis, diretos cheios de informações interessantes, receitas para fazer, "jantares" virtuais, treinos online, etc. Houve um dias em que pela primeira vez acho que soube verdadeimente o que significa o tal "FOMO" - Fear Of Missing Out. Parecia que tudo me estava a escapar entre os dedos e eu fechada em casa. Como era possível?!

Até que decidi parar, respirar e não pirar. Pensei naquilo que eu gosto e não gosto de fazer, naquilo que me faz sentir tranquila, alegre e preenchida. Dessas coisas, quais eram as que eu podia, conseguia e queria fazer em casa? Foi isso que me fez acalmar e tomar decisões. 

Tenho amigas que se juntam e praticam exercício em conjunto. Eu apoio-as, mas nunca participei... e elas nunca desistiram de me incentivar. Mas, sempre senti que não era uma coisa que me fosse animar e divertir. Seria mais uma obrigação, mais uma coisa que eu "tinha" que fazer em vez de "querer" fazer.

A minha irmã também me incentivou a fazer pão. Ela, que faz uns pães super bonitos e com um ar muito apetitoso, enviou receitas, truques e dicas. Eu, aprendi que o pão que compro na padaria do bairro, daquelas padarias à antiga, dura para uma semana de pequenos almoços. 

A minha casa continua igual a ela própria. Uns dias melhores que outros. Mas no bom caminho. E, apesar de tudo, gosto de olhar para ela e dizer "ainda tenho tanto para fazer" para logo de seguida pensar "Estás no bom caminho! Estás mesmo no caminho certo!".

Não li todos os livros que queria ler, nem testei todas as receitas que queria testar. Depois de iniciar as corridas tive de parar. Agora que vamos poder retomar, penso voltar. Nalguns dos "passeios higiénicos" que fiz tirei fotografias, aproveitei para olhar para as coisas com outros olhos e decidi que quero imprimir esses registos. 

Durante estes 60 dias houve tanta coisa que eu não fiz! Mas houve tantas outras em que avancei! E no final do dia... não é isso mesmo que importa?

 

 

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