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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Uma pessoa treina para tudo, menos para isto!

via

(Escrevi este post deitada na areia da praia. Já voltei de férias, mas o que importa é que ele fique registado antes de Domingo)

 

Durante o ano andei a treinar para a Travessia de São Martinho do Porto. Treinei kms para ganhar resistência, treinei até aos 2000m na piscina para compensar a diferença de fazer 1500m no mar. Aguentei sede, cãibras, cansaço e até fiquei a saber que o Hino Nacional dura 60m. A determinada altura comecei a pensar que em 1500m temos tempo para pensar em muita coisa e antes de começar a pensar “mas porque raio é que eu me meti nisto?!”… O Hino é a única música cuja letra sei totalmente de cor… Eu até fui nadar no rio, lembram-se?!

E chega o dia em que vais comprar o fato e aí é todo um outro campeonato! A primeira vez que o vesti parecia que estava a enfiar-me num colete de forças, de corpo inteiro. Muito pior que um body apertado ou uma cinta das avós! Depois… toda a gente sabe que roupa apertada provoca celulite… eu até a sentia a multiplicar-se nas pernas! Isto ao mesmo tempo que parecia ter entrado para a sauna… só que não! Ah! E num vestiário pequeno… Mas pronto… entre isto e ter frio no mar… isto!

Coragem ganha, vamos lá treinar no mar com o dito do fato. Só de pensar no aperto ao vestir… mas sacrifícios têm de ser feitos. E foi aí que se fez luz! Costumo dizer que a adolescência é uma idade muito parva, mas que todos temos de passar por ela. Quem nunca se deitou em cima da cama para conseguir vestir “aquelas” calças justas ou para apertar “aquele” botão? E foi isso mesmo que eu fiz! Sentei-me na areia e siga – nada de saunas nem banhos turcos e nem foi preciso comer nenhum bife para o conseguir vestir! Tudo no bom caminho! Estava tudo a correr tão bem que até tirei uma foto em Power Pose!

Até entrar dentro de água e começar a nadar… Fio horrível!! E para isto é que eu não treinei…. Primeiro parecia que não sabia nadar. Depois tinha que me puxar a mim e ao peso do fato. E como se isso ainda não fosse suficiente… começou a apertar-me na garganta…

A meio do percurso só me queria despir. Lembrava-me da cena do Sexo e a Cidade em que a Carrie vai experimentar vestidos de noiva e começa a “panicar” sem conseguir respirar e a sentir-se apertada. Assim estava eu. Mas com um fato de surf de 2mm de espessura… sem “panicar” e sem me conseguir despir… não foi divertido!

“E agora?” perguntou-me uma amiga. Agora, fui nadar sem o fato para reduzir a sensação menos boa e vou voltar a nadar com ele para ver se há alguma coisa a melhorar, também nadar com água mais fria para ver como me sinto e no dia da prova decido se nado com ou sem! Não vai ser este fatinho do Demo que me vai fazer desistir!

 

Hoje já dá para ver a temperatura da água do mar no Domingo. São previsões, é verdade, mas a confirmarem-se… acho que vou nadar sem o fato. Depois conto-vos como correu!

 

 

Sei o que fizeste o mês passado - Julho

O mês passado foi muito bom!

Nem sei bem o que salientar… foram férias, foram experiências novas, foram novos sabores… tanta coisa! Também foi acordar mais cedo, chegar a casa muito tarde e não ter tempo para nada.

As avarias físicas de Maio valeram uma entrada direta em sessões de fisioterapia. Duas semanas seguidas a acordar de madrugada para conseguir encaixar tudo antes das férias. Embora já tenha terminado e, inclusivamente, tenha tido alta… parece que vou ficar com mais um “relógio biológico” daqueles que parecem os galos que mudam de cor consoante o tempo… muda o tempo… doí-me o gémeo… mas pronto, já passou que é o que importa! Agora já consigo correr para apanhar o autocarro.

Também foi em Julho que desafiei os medos e fui nadar no rio.

As férias foram muito boas e vão ter direito a um post só delas! Escrevi-o deitada na areia e logo que consiga passo-o para aqui.

Também escrevi muitos postais e espalhei magia por várias caixas de correio. Algumas receberam pela primeira vez um postal meu. Algumas são até de pessoas que não conheço pessoalmente mas a quem quis enviar esta lembrança. Continua a ser uma alegria para mim ver como estas pequenas surpresas são bem recebidas. Um pequeno gesto, super simples e com uma capacidade tão grande de dar alegria e felicidade. Há quanto tempo não enviam um postal? Desafio-vos a enviar um! Se se sentirem entusiasmados… enviem 3 vá! Ou quantos quiserem. Mas enviem! E depois esperem que eles cheguem ao destino e “vejam” a reação da outra pessoa. Duvido que sejam mal recebidos… Ah! E se não tiverem as moradas, peçam-nas já! Não deixem para depois.

Agosto já vai quase a meio… e parece Outubro, é verdade, mas quem sabe se em Outubro não vamos encher as praias?!

O regresso das férias tem sido um bocadinho complicado mas, com calma tudo se resolve. E o mais importante é manter as boas energias e a tranquilidade! Fazer uma coisa de cada vez e o que for possível fazer. O que não for… esperará pela sua vez.

Para Agosto temos:

  • Encontros com amigos
  • Dias de praia com primos
  • Travessia de São Martinho do Porto

E não vou colocar mais nada… algo me diz que não irei fazer muito mais que isto… embora tenha em mente ir ao cinema ver Ibiza – Não escolhas o destino errado ; Fotografia e Sousa Martins. Um para me rir, outro pela história e outro pela curiosidade que sempre tenho quando passo pela estátua do médico a quem tanta gente recorre e pede ajuda.

 

E por esses lados, planos para Agosto?

Os Dias Bons

Encontrei este texto guardado entre outros. É de 2012 mas podia ser de 1986 ou de 2025. Os dias bons não têm data.


 
Os dias bons são os dias em que se acorda, tendo dormido oito, nove ou, melhor ainda, dez horas e, reflectindo naquela ronha de quem já não consegue dormir mais mas gosta de ficar na cama (porque a temperatura e a companhia são perfeitas), se lembra que não tem nada para fazer, senão tomar o pequeno-almoço, o almoço, o chá e o jantar. E, se quiser, entretanto, nalgum intervalo qualquer, trabalhar, tanto melhor. Mas não importa. Dias de domingos antigos: dias de prazer sem saber.


Os dias bons nunca acontecem. Acontecem, quando muito, cinco ou dez mil vezes numa vida. Três míseros anos já têm mais de mil. Domingo, daqui a uma semana, terei a sorte nunca tida de estar casado e feliz com a Maria João há 12 anos. Doze anos cheios de dias bons, impossíveis de contar.


O amor, para quem é mais novo e não sabe como fazer, não é uma técnica ou uma táctica. Não há segredo. Não há lições. Ou se ama ou não se ama. Ou se é também amado ou não se é. Esperar é o melhor conselho. Experimentar é o pior. O segredo não é ter paciência: é conseguir manter a impaciência num estado de excelsitude. É como o «nunca mais é domingo». Se não sentirmos, todos os dias, que nunca mais é domingo, quando chegar o domingo parecer-se-á com outro dia qualquer.


Os dias bons não são os que ficam para lembrança. São aqueles que se esquecem, porque se repetem na mais estúpida felicidade mas que, todos juntos, servirão para um dia eu poder dizer «sim, eu já fui feliz».

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público' (23 Setembro 2012)