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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

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“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

TODAS AS GAVETAS DEVEM ESTAR ARRUMADAS :)

Um dia desta semana estava a falar com uma amiga sobre isto mesmo!

Mais uma prescrição da Farmácia de Serviço.

 

"O ARMÁRIO DOS AMORES PASSADOS

Eu tenho um armário onde guardo os meus amores. Escuso-me de revelar o tamanho deste armário. Aprendi que a cada novo amor somos sempre virgens. Não interessa quantos homens tivemos na vida: um ou mil. Para todos os efeitos nunca tivemos outro, nem mesmo nos acessos de partilha de vida em que revelamos tudo como se isso nos aproximasse sem perceber que, se há coisa que afasta, é revelar a intimidade passada quando queremos construir o futuro.

As gavetas do armário dos amores passados arrumam-se e fecham-se. Só podemos amar com um armário arrumado, não vale a pena adiar, alegar preguiça ou indiferença, tentando esconder amores debaixo da cama.

Eu tenho um armário onde guardo os meus amores. Há gavetas despidas, outras forradas a papel cheiroso. Antes de serem guardados, os amores devem ser cuidadosamente lavados, passados a ferro e dobrados. Quando sou capaz de lhes pegar e dobrá-los com carinho, estou pronta para o arrumar o meu amor passado na sua gaveta.

Por vezes, quando estou sozinha, quando estou nostálgica ou depois de uma noite de conversa e memórias revisitadas, chego a casa e abro algumas gavetas do meu armário. Inspiro os cheiros que guardam e toco-lhes ao de leve. Consigo sorrir, outras vezes choro. Acontece, muito raramente, perceber que estão ligeiramente amarrotados, fora do lugar. Nesses momentos ajeito-os. E volto a fechar a gaveta. As gavetas do armário dos amores passados devem permanecer fechadas. Serenamente fechadas.

Não revelo o tamanho do meu armário. Pode ser apenas uma gaveta ou um contador digno de palácio real. Sei a que cheira cada compartimento. Em especial aquele que abri no outro dia quando as ventanias da vida desarrumaram o amor que guardava. Abri-a, alisei-o com cuidado e fechei a gaveta.

As gavetas do armário dos amores passados devem permanecer fechadas.

Catarina Beato"

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