Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

"Todas as noites podemos voltar a ter dois anos"

Sabem quando ouvem uma música e vos sabe a Verão? Ou quando sentem aquela brisa suave e morna nas primeiras noites quentes de Maio? Ou ainda aquele momento em que comem o primeiro gelado do ano, aquele que vai marcar a época? Tudo isso me remete para as férias de Verão. Para as alegrias que essa Estação nos traz. Para as memórias que cria.

 

No caminho para o trabalho, num metro a abarrotar, ouvi o podcast d’O Livro do Dia, com o Carlos Vaz Marques. E por momentos o mundo parecia ter parado. Boa esta sensação de irmos isolados no meio da multidão. Como se o mundo deixasse de existir.

 

O podcast começa logo com duas frases bonitas: “Não temos mais começos” do George Steiner – que pode fazer pensar, e “Tenho a cabeça cheia de Fábulas” da autora do livro do qual nos vai falar, Lídia Jorge.

 

Escolheu o texto que se segue para ilustrar o livro do dia. Pesquisei-o para ser aqui fiel à sua reprodução na forma. Como não encontrei, tomei a liberdade de o deixar como prosa e não poesia, abusando da “designação genérica de “outras narrativas””. Independentemente da estrutura que tenha é sem dúvida pura poesia.

 

E por isso sugiro que o oiçam declamado pelo Carlos Vaz Marques antes até de o ler. Depois digam-se se não sentiram a brisa do mar, o cheiro a praia e um ou outro grão de areia no corpo. Digam lá se, mais logo ao final do dia, não vão deitar a cabeça na almofada e pensar que, apesar de tudo, “todas as noites podemos voltar a ter dois anos”?

 

O Livro do dia TSF é “O Livro das Tréguas” – Lídia Jorge, Edições Dom Quixote.

Quando os barcos caiam do céu e os remos separavam a verdura da terra avançávamos na água recolhendo redes. Os peixes saltavam das ondas e quando exibiam as escamas formavam-se nuvens de todas as cores. Vinham os vendavais e faziam a cama as gaivotas. Desses ovos nasciam pássaros desajeitados que afagávamos entre as nossas mãos. Jamais de algum deles saiu uma serpente que ameaçasse morder as crias das outras espécies. Veneno não havia. O grande perigo passava voando por cima das nossas cabeças e nós não o persentíamos. Nunca, no nosso paraíso, encontrámos Adão ou Eva. Pelo contrário, o mar invadiu a terra, formaram-se seis continentes, todos os rios do Globo e não demos por nada. Em nossa ignorância estávamos sentados na areia, ansiosos por conhecer o que seria uma tempestade. E assim decorreu a infância. Todas as noites podemos voltar a ter dois anos.

A Infância do Mundo - Lídia Jorge

 

Regras Boas

via

 

Por acaso não acho que ter regras seja uma coisa negativa e, por isso, talvez o título deste post merecesse outra escolha de palavras. Mas quando decidi chamar-lhe regras boas era como quem diz “regras do bem”. O que também não é bem, bem a escolha mais acertada. Parece que há outro conjunto de regras maléficas.

 

O que eu quero dizer com “regras boas” ou “regras do bem” é que há algumas, umas mais que outras, que apesar de terem aquele cunho de obrigação associado à palavra “regra” têm também o cognome de amigas. Regras amigas! Se calhar seria um título mais interessante… mas agora, dois parágrafos depois, já não vou mudar isso.

 

Continuando! Há algumas ações que podem ser incorporadas nas nossas vidinhas, nas nossas rotinas e que nos ajudam a ter um dia melhor, a sentirmo-nos melhor, mais giros, mais fortes, mais alegres, tudo em bom! Conseguimos fazer tudo e incorporar todas estas medidas? Não. Eu pelo menos, não! Conseguimos ir adquirindo alguns hábitos e associar algumas destas dicas ao nosso dia-a-dia? Sim. Eu pelo menos consigo! E acreditem… se eu consigo… vocês também!

 

Depois de todo este latim, aqui ficam as “Regras boas”, “Regras do Bem” ou “Regras Amigas”. Podemos chamar-lhe o que quisermos! Bom, bom é conseguirmos ir acrescentando uma ou outra que nos ajude a sentir como dizia acima, ou por outras palavras, sentirmo-nos: na nossa melhor versão!

 

  • Beber 2l água por dia
  • Fazer uma esfoliação 1x por semana
  • Hidratar o cabelo com uma máscara 1x por semana
  • Limpar, tonificar e hidratar 2x ao dia
  • Fazer exercício físico
  • Usar protetor solar
  • Unhas sempre limpas e cuidadas (manicure será opção individual)
  • Ler
  • Tomar vitaminas
  • Reduzir o stress
  • Dormir cedo e sempre à mesma hora
  • Beber chá
  • Nunca dormir com maquilhagem
  • Ter a casa “desatafulhada”
  • Usufruir do Silêncio

 

 

Desenhar caminhos

via

 

Há uns tempos fui ao Lux ouvir o na altura Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, falar da arquitetura das cidades, sobretudo a arquitetura paisagista. Foi uma conversa interessante e da qual me recordo muitas vezes. Dizia ele que podia contratar os melhores arquitetos paisagistas do mundo para desenhar a cidade, que eles dificilmente iriam acertar. Referia-se aos caminhos escolhidos pelas pessoas, aos desenhos que "criamos" quando escolhemos por onde passar a cada dia, em cada passeio. O que os arquitetos definem como melhor, ou mais bonito, caminho quase nunca é o escolhido pelas pessoas. Está explicado o porquê de muitas vezes encontrarmos carreirinhos a atravessar o relvado num jardim, ou até nos pequenos espaços verdes que decoram as calçadas.

 

Agora... vejam o que encontrei num livro que comprei nas férias: 

"Nos anos 60 e 70 do séc. XX, a Universidade da California em Irvine foi uma de um grupo de universidades que decidiu construir o seu campus sem quaisquer caminhos. Os estudantes e os docentes caminhavam sobre o relvado em redor dos edifícios do campus como queriam, sem um caminho que já estivesse pavimentado para eles. Cerca de um ano depois, quando já se podia ver os lugares onde o relvado estava gasto em volta dos edifícios, a universidade mandou pavimentar esses caminhos. Os passeios da UC em Irvine não ligam os edifícios uns aos outros de forma predeterminada - são construídos onde as pessoas naturalmente desejam caminhar. Os arquitetos paisagistas chamam a estes caminhos "linhas de desejo"."

 

Como seriam as nossas cidades de fossem desenhadas segundo estas "linhas de desejo"? Onde estariam as passadeiras? Onde nos levariam os caminhos?

 

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D