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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

O saquinho das meias

Terminamos em “inho” palavras às quais queremos dar um aspeto fofinho, queridinho, amorosinho, coisas pequeninas e bonitinhas. O casaquinho, o bonequinho, o cãozinho… por exemplo. Sendo que também podemos usar o mesmo sufixo para dotar o discurso de determinado grau de ironia. Como aqui no blog não dá para perceber a entoação que dou ao título deste post… vou explicar-me por outras palavras. Trocar o saquinho fofinho por miúdos.

 

Há uns tempos atrás assumi que era freak do estendal. Continuo a ser. E se há motivo que me mantém firme e hirta nessa minha relação com as molas da roupa é precisamente o saquinho das meias! E não estou sozinha neste “amor” pelo queridinho do saquinho. Há quem tenha o saquinho, a caixinha, a gavetinha, o montinho, e outros “inhos” das meiazinhas. Mas quase toda a gente tem a mesma opinião sobre isso… é um ser vivo detestado na maioria dos lares em Portugal e arredores.

 

E quase nunca nos pomos no lugar das ditas das meias. Se tal acontecesse mais freaks do estendal começavam a surgir. Se não reparem em toda a jornada da coitada da meia: começa por ser pisada todo o dia, depois vai para o cesto da roupa suja ou, algumas (poucas) sortudas diretamente para a máquina de lavar. Aqui andam às voltas e mais voltas dentro da máquina, em banhos de água fria para não tingirem outras peças que tenham a sorte de andar ao mesmo tempo na montanha russa (vulgo tambor da máquina de lavar). No caso das que andam em temperaturas mais elevadas… correm o risco de, ainda por cima, terem de assumir as culpas por uma mancha aqui ou ali. Culpa das meias, claramente. Já para não falar nas desgraçadas que se lembram de ir embrulhadas numa toalhinha branca… a lavar a mais de 40 graus… Ui!  

 

Adiante. Depois temos aquelas meias que decidem dar o grito do Ipiranga e desaparecer miraculosamente, qual truque do Luís de Matos, sabe-se lá por onde, sabe-se lá como. Diz que saem pelos furinhos do tambor…

 

Entretanto, sobreviveram e não fugiram. Chegam ao estendal. E não vamos agora distinguir as técnicas de distribuição de molas, cores e afins. Estão secas. E chega finalmente o momento de descansarem na sua gavetinha. À espera que chegue novamente o seu dia. Mentira! São apanhadas e vão para o saquinho das meias! Aquele paraíso maravilhoso onde podem conviver com outras meias, de outras cores, outras texturas… quem não gosta disso!? Multiculturalidade!

 

Isto é a conversa de uma pessoa otimista. Agora voltemos a colocar-nos no lugar da meia. Já resistiram a fugir pelos furinhos do tambor da máquina, já estiveram separadas no estendal, ainda vão passar no saquinho… é que o saquinho das meias é como o triângulo das Bermudas! Um par de meias entra lá e nunca sabe se sai completo!

 

E para terminar deixo uma pequena pergunta para pensarmos em conjunto: onde acabam as meias que desaparecem nos furinhos da máquina e… muito mais incrível ainda… para onde vão as meias que desaparecem do saco e fazem com que os seus pares fiquem para sempre nesse lugar maravilhoso que é o saquinho das meias?!

 

 

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