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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

O plástico provoca-lhe azia

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O desafio do mês de Julho estava associado à iniciativa “plastic free July”. À partida já sabia que seria um verdadeiro desafio. O que eu não sabia era que o seu grau de dificuldade era mesmo elevado. Basicamente tudo se pode resumir a esta frase: há plástico por todo o lado!

 

Comecei por recusar palhinhas e tampas dos copos de sumos. O movimento é já tão mecânico que muitas vezes já nem ia a tempo de dizer que não queria. Pimbas, já estava na minha frente. Depois comecei por “ver melhor” o plástico. Desde as embalagens de comida para fora, a algumas frutas também prontas a levar (o caso das bananas acho gritante), às garrafas de água em restaurantes, ou as escovas dos dentes e cabelo, entre muitas outras coisas que eu agora nem me estou a lembrar. Está por todo o lado!

 

Quando comecei este desafio ainda não tinha ido de férias e nalguns dias fui buscar o almoço a um restaurante perto do trabalho. Levei as caixas. A reação inicial foi de estranheza mas depois passou rapidamente a ser aceite. Acontece que a este restaurante específico vão muitas pessoas mais velhas buscar uma sopa ou algo para o almoço e jantar e levam as suas caixas. Pessoas mais novas, com essa prática, é que parece não ser tão comum.

 

Mas também tive uma experiência, logo à partida, positiva. Quando quase obriguei uma amiga a recusar um saco de plástico numa loja a senhora disse que havia muita gente a fazer o mesmo. Parece que aos poucos a questão se vai enraizando nos nossos hábitos.

 

E depois vieram as férias! Nesta altura o plástico já me saltava à vista. Como quando pensamos comprar qualquer coisa e a partir daí só vemos isso. Um dia, a caminho da praia, vi uns miúdos a olhar muito para a vegetação ao lado do passadiço. Eles viam camaleões. Eu, só via lixo. E isto entristeceu-me.

 

No primeiro dia fiz uma caminhada até à praia seguinte. Numa zona quase deserta a quantidade de lixo era enorme. Trouxe comigo umas peças de Lego. Era como o lançamento da primeira pedra. No dia seguinte fiz a mesma caminhada e levei um saquinho para apanhar o tal lixo. Era praticamente tudo plástico. Aliás, tirando uns calções de banho era mesmo tudo plástico.

 

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Houve quem olhasse para mim com aquele ar de “esta é doida, agora anda a apanhar lixo do chão”. Em todo o caso, e porque sou uma pessoa otimista, acredito que o meu comportamento terá tido impacto nalgumas dessas pessoas, e tenha sido um incentivo a fazerem o mesmo. Ou pelo menos a levar o seu lixo para os contentores existentes nas praias.

 

Se deixei de produzir lixo plástico ou de consumir coisas em plásticos? Não. É muito mais difícil do que parece. Mas a tomada de consciência foi grande e a mudança de alguns comportamentos também.

 

Queria dizer muito mais sobre o plástico e sobre o desafio mas realmente ainda não consegui muito bem arrumar essas ideias. Mas deixo uma analogia. Depois do que tenho pesquisado sobre o tema cheguei à conclusão de que o plástico provoca azia ao planeta, é mal digerido ou não digerido de todo. O problema é que essa azia não se resolve com pastilhas Rennie.