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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

O meu Avô Henrique

O meu avô Henrique fazia hoje anos. E eu tenho muitas saudades dele!

 

Tenho saudades de quando me sentava ao lado dele, no braço do cadeirão, a dizer disparates. De quando contava os poucos cabelos que tinha na careca, ou de quando gozava quando ele me dizia que tinha que ir cortar o cabelo. Também tenho saudades dele sempre que vou à praia da Nazaré e me lembro do momento em que víamos o primeiro risquinho de mar e o saudávamos aos gritos dentro de um Renault 5 branco (5 pessoas e tarecos para 15 dias - às vezes ainda me pergunto como é que isso era possível). E daquela vez que fizemos uma revolução, eu e a minha irmã (sob a sua orientação), e pedíamos à minha avó, de forma ritmada: "Queremos, frango, assado, com batatas fritas às rodelas!". Ou então das anedotas do Bocage que ele adorava contar. Do seu assobio também tenho saudades. E do seu passo compassado. Pé ante pé. Literalmete. E de quando ia com ele para a horta e ele desesperava porque eu queria mesmo era andar com os pés no regadio. Agora, adulta, eu percebo. O regadio às vezes eram plantações. Eu é que não as via. De quando o ia ver à oficina, quando ele ainda fazia vassouras, também tenho saudades. Ou de dançar com ele num casamento. Dançámos sentados, um em frente do outro. 

 

Tenho saudades de mais coisas, mas do que eu tenho mesmo, mesmo saudades é do seu sorriso e das histórias que ele inventava. Como aquela em que falávamos das cabeças de gado e todos os cavalos que tinha na Argentina, país onde nunca esteve. O meu avô Henrique era tão, mas tão, bem disposto que quando soubemos que havia um novo Papa e argentino, ele disse "O Francisco ligou-me hoje. Está muito preocupado porque tem muito que fazer". Como se fossem amigos de longa data. 

 

O meu avô Henrique era muito bem disposto e por isso, apesar de ter aqui uma ou outra lágrima a querer dar um salto, hoje é um dia muito feliz! Parabéns Henriqueta! Não chegaste aos 100, mas fizeste um bom trabalho!

 

PS: escrevi este texto na 2ª feira quando ainda estava doente e a ver as notícias sobre os fogos. Tive que ir assoar o nariz um par de vezes :) Queria que a lembrança boa fosse muito superior às saudades e muito superior ao horror que via na TV...

 

 

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