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Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

Edição Limitada

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”. Clarice Lispector

A minha amiga alemã

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Conhecemo-nos numa reunião de trabalho fora do país. Estivemos numa reunião de dois dias, num grupo de pessoas de vários países. Depois disso fomos falando por e-mail. Boas Festas, Feliz Aniversário, como foram as festas? Até que chegou a convocatória para a reunião seguinte. Na Alemanha, na terra da minha amiga. Ela é que já não trabalhava no mesmo sítio…

 

Em todo o caso, enviei um e-mail a sugerir que nos encontrássemos. E acabei por passar lá o fim de semana. Primeiro o trabalho, depois o lazer. E foi um fim de semana muito giro! Pelos mais variados motivos.

 

Quando nos vimos tenho que admitir que quase não nos reconhecíamos. Tinha passado mais de um ano… e só estivemos dois dias… numa reunião com mais 15 pessoas. Fomos a casa dela deixar a minha mala e depois fomos jantar. Ir de férias a um país diferente do nosso já nos mostra algumas coisas diferentes, mas quando partilhamos tempo com os locais, aí sim, vemos como é a vida. Mas não foi negativo! Foi um choque cultural positivo. Também sei que não posso tomar o todo pela parte mas… há hábitos que são culturais e pronto. Como nós irmos ao café, por exemplo.

 

Quando chegámos a casa a primeira coisa que me pediu foi para me descalçar à porta. Em muitos sítios este hábito é inquestionável, e em algumas casas portuguesas também. Mas não deixamos os sapatos à entrada ou temos uma pequena divisão para esse efeito! A casa dela era não muito grande mas muito espaçosa e brilhante. Arejada. Foi neste fim de semana que decidi começar esta missão destralhar. Era uma casa muito simples, muito despojada, mas linda. E eu também queria viver num sítio assim.

 

Fomos jantar fora, passámos no supermercado e andámos a conhecer o bairro onde ela vive. Reparei que flores frescas são bens de primeira necessidade. Assim como ter as varandas, janelas e canteiros floridos e com pássaros de madeira, moinhos de vento, fitas coloridas… de pensar que das flores que plantei nos canteiros, em Março, já me roubaram 4 plantas…

 

E depois aproveitámos o fim de semana sem horários, nem visitas turísticas exaustivas. Fomos a uma festa, a um concerto numa das salas mais bonitas onde já estive, comemos comida típica, fomos atendidas por dois portugueses que pensavam que podiam falar à vontade porque ninguém os ia entender, enfim, o normal.

 

E também conversámos muito. Tentámos alugar uma casa em Nice enquanto a convencia que Portugal era muito melhor, bebemos chá e ficámos amigas. Aí sim, passámos de conhecidas a amigas.

 

No ano seguinte a minha amiga alemã veio cá passar uns dias. Ficou em minha casa, celebrámos o aniversário dela, visitámos os locais que não podia perder e comeu comidinha portuguesa. Reparou que pomos ovos em tudo e não gostou de bacalhau… mas adorou os pastéis de Belém.

 

Entretanto, e de volta a casa, envia-me fotos dela com amigos num restaurante português e diz que gosta de fado. Não percebe nada do que dizem, diz ela, mas percebe que é bonito.

 

E porque é que vos conto isto hoje? Porque a minha amiga está cá novamente. Desta vez veio ela em trabalho e mais tarde vamos encontrar-nos para mais choques culturais. Positivos.